45% das empresas admitem que dificuldade com tecnologia prejudica a função tributária

45% das Empresas Admitem que a Dificuldade com Tecnologia Prejudica a Função Tributária: Veja Como Superar Esse Desafio

A dificuldade em acompanhar o avanço tecnológico está comprometendo o desempenho das áreas tributária e financeira das empresas, aponta o estudo “2025 Tax and Finance Operations”, da EY. Para 45% dos entrevistados, a incapacidade de implementar um plano consistente para dados, inteligência artificial e tecnologia é hoje a principal barreira para atingir os objetivos da função tributária. O levantamento ouviu 1,6 mil profissionais de 22 setores e 30 países — em sua maioria diretores tributários e financeiros — entre julho e setembro do ano passado.

Esse desafio ganha peso em um momento de transformação na relação entre empresas e fisco. Com o aumento da exigência por transparência, as administrações tributárias passaram a usar análises avançadas e IA para ter visibilidade praticamente em tempo real das operações realizadas pelas companhias.

“Essa mudança exige que as equipes internas evoluam seus modelos operacionais para garantir agilidade nos processos e evitar riscos à reputação e prejuízos financeiros”, afirma Segundino De La Fuente, sócio de impostos da EY Brasil. “Ter dados limpos, organizados e centralizados é fundamental para atender não só às demandas de transparência fiscal, como também ao Pilar 2 e às metas de sustentabilidade. Mas, como o estudo mostra, a maturidade desses dados ainda está longe do ideal”, complementa.

Os números evidenciam o problema: apenas 16% dos entrevistados dizem estar muito confiantes em sua capacidade de executar a estratégia de dados. Menos de 25% afirmam ter alta maturidade no gerenciamento de dados tributários. Só 38% indicam que a estratégia de dados está alinhada à estratégia geral da organização, e apenas 21% enxergam alinhamento com a estratégia de tecnologia da companhia.

Barreiras para a implantação da IA

A adoção da inteligência artificial, que poderia gerar ganhos de eficiência e vantagem competitiva, também esbarra em obstáculos relevantes. Para 80% dos entrevistados, a falta de dados preparados para IA é o principal entrave à expansão dessa tecnologia em suas empresas.

O uso efetivo dessas informações ainda é baixo: somente 17% das áreas de impostos e 13% das áreas financeiras se consideram “muito eficazes” no acesso e na utilização de dados. A razão central é a fragmentação: 91% admitem que seus dados estão armazenados em silos, muitas vezes em discos rígidos locais, o que dificulta a integração necessária para relatórios de sustentabilidade e programas ESG.

“As empresas que conseguem extrair valor dos dados têm alguns pontos em comum: estrutura organizacional centralizada e uso de soluções tecnológicas integradas, em vez de ferramentas pontuais e desconectadas”, conclui Segundino.