O cenário externo segue marcado por incertezas, principalmente devido à conjuntura e à política econômica dos Estados Unidos, o que tem impacto direto nas condições financeiras globais. Esse contexto exige atenção redobrada dos países emergentes, especialmente diante das atuais tensões geopolíticas.
No Brasil, os indicadores econômicos mostram uma desaceleração esperada no ritmo de crescimento, mas o mercado de trabalho permanece aquecido. Os dados mais recentes apontam para um leve recuo na inflação, tanto nos índices gerais quanto nos subjacentes, porém, ainda acima da meta estabelecida.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026, segundo a pesquisa Focus, continuam acima do objetivo do Banco Central, ficando em 4,5% e 4,2%, respectivamente. Para o segundo trimestre de 2027, a projeção do Copom indica inflação de 3,3% no cenário de referência.
Os riscos para a inflação continuam elevados, tanto para cima quanto para baixo. Entre os fatores que podem pressionar a inflação, destacam-se uma possível desancoragem das expectativas por um período mais longo, uma inflação de serviços mais resistente devido a um mercado de trabalho aquecido, e políticas econômicas – internas e externas – que possam depreciar o câmbio de forma persistente. Já entre os riscos de baixa, estão uma desaceleração doméstica mais forte que o previsto, um enfraquecimento global causado por choques no comércio e incertezas, além de uma possível queda nos preços das commodities.
O Comitê de Política Monetária (Copom) segue atento aos desdobramentos das tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil e ao impacto da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros. O cenário permanece desafiador, com expectativas de inflação desancoradas, projeções elevadas, atividade econômica resiliente e pressões no mercado de trabalho. Para garantir que a inflação volte à meta, o Copom avalia que é necessário manter uma política monetária bastante restritiva por um período prolongado.
Diante desse contexto, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% ao ano, considerando que essa medida é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta no horizonte relevante. Além de buscar a estabilidade de preços, essa decisão também contribui para suavizar as oscilações da atividade econômica e apoiar o pleno emprego.
O momento pede cautela na condução da política monetária. O Comitê acredita que manter a taxa de juros em um patamar elevado por mais tempo é suficiente para garantir a convergência da inflação à meta. Ressalta ainda que seguirá vigilante, podendo ajustar a política monetária se necessário, inclusive retomando o ciclo de alta dos juros caso o cenário exija.
A decisão foi tomada pelos membros Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Projeções de inflação no cenário de referência:
Índice de preços | 2025 | 2026 | 2º tri 2027 — | — | — | — IPCA | 4,6% | 3,6% | 3,3% IPCA livres | 4,5% | 3,6% | 3,2% IPCA administrados | 5,0% | 3,4% | 3,5%
No cenário de referência, a trajetória da taxa de juros é baseada na pesquisa Focus, e o câmbio parte de R$ 5,40 por dólar, evoluindo conforme a paridade do poder de compra. O preço do petróleo segue a curva futura nos próximos seis meses e passa a crescer 2% ao ano depois disso. Também se considera a bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2025 e 2026. O valor do câmbio foi obtido pelo procedimento usual do Banco Central.














