Da redação
Enquanto muitos jornalistas fechavam março com cautela sobre o futuro do setor automotivo no Brasil, os dados consolidados ao longo de 2025 sugerem uma história diferente: a da resiliência transformada em crescimento. Relatórios setoriais reunidos ao longo do ano mostram que, apesar de um cenário econômico adverso marcado por juros altos e crédito mais restrito, o mercado automotivo deve fechar o ano com resultados superiores aos de 2024. Os indicadores mais robustos acumulados até setembro revelam que as vendas de carros novos cresceram mais de seis por cento nos últimos 12 meses, simultaneamente à expansão de quase 9 % na produção industrial. Esses números, se mantidos no quarto trimestre, colocam 2025 em um patamar mais elevado do que muitos analistas projetavam no início do ano.
O que torna esse resultado particularmente relevante não é apenas a comparação com 2024, mas o contexto em que ele ocorreu. A alta taxa básica de juros persistiu por boa parte do ano, impactando diretamente a concessão de crédito para aquisição de veículos. Mesmo assim, a produção industrial se manteve firme e as exportações automotivas voltaram a apresentar superávit após um período prolongado de déficits, impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas para países vizinhos, especialmente a Argentina. Para um setor historicamente sensível às condições macroeconômicas, essa reversão sinaliza um amadurecimento operacional e estratégico.
Internamente, a dinâmica do consumo também sofreu ajustes importantes. Enquanto o crédito para veículos usados recuou, os financiamentos de novos tiveram um comportamento mais estável, indicando uma mudança sutil, porém significativa, no perfil de demanda dos consumidores brasileiros. Esse reposicionamento sugere que os compradores, mesmo diante de custos financeiros elevados, estão mais dispostos a investir em modelos com tecnologia atualizada e maior eficiência energética, refletindo uma tendência que já vinha se desenhando desde 2024.
No balanço final, 2025 pode ser interpretado como um ano de superação de expectativas, em que a indústria automotiva brasileira voltou a demonstrar força tanto no mercado interno quanto no externo. Mais que números, essa trajetória sinaliza que o setor não apenas resistiu, mas adaptou seus mecanismos de produção e comercialização às realidades de um mercado em transformação — um bom presságio para 2026.














