Com um cenário macroeconômico ainda desfavorável, o empresário da indústria mineira iniciou 2026 no mesmo tom que marcou todo o ano passado: pessimista. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Em janeiro, o indicador registrou 47,1 pontos, abaixo da marca de 50 pontos que separa confiança de falta de confiança. Foi o 14º mês seguido em território pessimista.
Segundo a economista da Fiemg, Daniela Muniz, o ambiente macroeconômico continua hostil à atividade industrial. A política monetária segue restritiva, com juros elevados encarecendo o crédito, freando investimentos e pressionando o custo financeiro das empresas.
O elevado endividamento público é outro fator que pesa contra. O nível da dívida limita a margem para estímulos fiscais e reduz a capacidade do governo de impulsionar a demanda interna. Daniela destaca ainda a inflação, que apesar de dar sinais de desaceleração, permanece acima da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), corroendo o poder de compra das famílias.
No plano externo, o quadro também não ajuda. “Temos tensões geopolíticas que atrapalham e geram insegurança para o comércio”, afirma. Ela lembra ainda o ambiente mais protecionista nos Estados Unidos, que traz obstáculos adicionais às exportações da indústria mineira. “Nosso setor exportador está sentindo esse movimento”, completa.
O levantamento mostra que as empresas de menor porte são as mais vulneráveis a esse contexto. O índice de confiança da indústria de pequeno porte ficou em 41 pontos, e o da média, em 46,2 pontos — ambos no campo do pessimismo. Já a indústria de grande porte registrou 50,6 pontos, ligeiramente acima da linha que marca otimismo, o que indica maior resiliência das grandes companhias às dificuldades do ambiente econômico.
Percepção negativa no presente e neutra para os próximos meses
Apesar de permanecer abaixo da média histórica de 52,3 pontos, o Icei-MG de janeiro avançou 1,2 ponto em relação a dezembro. O movimento sugere que o pessimismo ainda é dominante, mas menos intenso e menos disseminado.
Na decomposição do indicador, o subíndice de condições atuais subiu 0,3 ponto, mas ficou em 41,3 pontos, mostrando que os industriais mineiros mantêm uma leitura negativa da situação da própria empresa, da economia brasileira e da economia de Minas Gerais. Já o subíndice de expectativas cresceu 1,7 ponto e alcançou 50,1 pontos, sinalizando uma postura neutra em relação aos próximos seis meses.
Para Daniela Muniz, essa diferença entre a percepção do presente e do futuro indica um setor cauteloso, mas com alguma esperança de estabilização das condições financeiras e de uma retomada gradual da atividade industrial.
Ela projeta uma recuperação lenta da confiança, condicionada principalmente à condução da política monetária. Com os sinais de desaceleração da inflação, o mercado aguarda um movimento de flexibilização por parte do Banco Central, o que poderia aliviar os setores produtivos.
“Se os juros começarem a recuar ao longo do ano e houver maior previsibilidade fiscal, a indústria deve ganhar fôlego adicional”, avalia. “Mas ainda há riscos importantes no radar, como o ambiente externo, que continua incerto, e a demanda doméstica, que enfraqueceu”, pondera.














