Por Willian Valiante, sócio de consultoria para Varejo da EY na América Latina
O primeiro dia da NRF 2026 deixou claro que a inteligência artificial saiu do campo das tendências e entrou definitivamente na agenda estratégica do varejo global. Sob o tema “The Next Now”, o evento reuniu líderes, especialistas e inovadores para discutir como a IA já está redesenhando operações, decisões e modelos de negócio.
Um dos destaques foi Sundar Pichai, CEO do Google, que detalhou o papel da inteligência artificial nas estratégias de varejo – da geração de novas oportunidades de receita ao ganho de eficiência operacional, passando pela personalização em escala da jornada do cliente. A mensagem central: quem não estiver preparado para trabalhar com dados de forma estruturada tende a ficar para trás em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por analytics.
Michael Rubin, CEO e fundador da Fanatics, reforçou outro ponto-chave: personalização e conexão emocional. Segundo ele, o crescimento acelerado de marcas no varejo passa por inovar rápido e ajustar o rumo com agilidade à medida que o mercado muda. Mais do que vender produtos, trata-se de construir relacionamentos duradouros com o consumidor.
A pauta da sustentabilidade também ganhou espaço. Especialistas mostraram como as marcas podem se engajar de forma mais profunda com suas comunidades, adotando práticas ambientais e sociais consistentes – não apenas em campanhas de marketing, mas na operação do dia a dia. Consumidores ao redor do mundo estão mais atentos à origem dos produtos, ao impacto da cadeia de suprimentos e à coerência entre discurso e prática.
Fundadores e líderes de startups apresentaram soluções que já começam a redesenhar o varejo em diferentes frentes: automação de processos, robótica em centros de distribuição e lojas, uso de realidade aumentada para apoiar a decisão de compra e integrar canais físico e digital. O foco está em ganhar eficiência e, ao mesmo tempo, elevar o nível da experiência do consumidor.
O saldo desse primeiro dia é a confirmação de que o futuro do varejo será definido pela combinação de três vetores: inovação tecnológica, personalização centrada no cliente e compromisso efetivo com a sustentabilidade. Os insights apresentados apontam um caminho claro de transformação, mas também expõem o tamanho do desafio de adaptação em um ambiente em constante mudança.
Desenha-se uma nova era em que inteligência artificial e vínculo emocional caminham juntos para criar experiências de compra mais relevantes. O grande ponto em aberto é justamente a integração entre tecnologia e loja física – especialmente num contexto em que os pontos de venda passam a funcionar como centros de relacionamento, serviços e construção de marca, e não apenas como locais de transação.
Esse desafio é, em grande medida, cultural. Envolve operar em escala global respeitando diferenças locais, em mercados onde o que encanta o consumidor em uma região pode ser indiferente – ou até negativo – em outra. Não basta implementar ferramentas avançadas: é preciso entender hábitos, expectativas e códigos culturais que moldam o comportamento de compra.
O varejo moderno, incluindo o automotivo, dependerá da capacidade de equilibrar inovação tecnológica com sensibilidade às realidades locais. As empresas que conseguirem combinar dados, IA e automação com conhecimento profundo do cliente em cada mercado estarão mais bem posicionadas para oferecer experiências realmente relevantes – e, consequentemente, para liderar essa nova fase do setor.














