O varejo físico brasileiro fechou 2025 com alta de 2,9%, segundo a variação acumulada do Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian. Para a economista-chefe da datatech, Camila Abdelmalack, o resultado confirma a expansão da atividade comercial em um ano marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, especialmente no segundo semestre.
Na avaliação de Camila, o desempenho do comércio em 2025 reforça a resiliência do consumo no país: “Mesmo com um ambiente monetário mais restritivo, o mercado de trabalho aquecido e as medidas de suporte à renda ajudaram a sustentar a demanda em terreno positivo. Ainda assim, o consumo perdeu fôlego ao longo do ano, com efeitos distintos entre os diferentes segmentos”.
Material de Construção puxa a alta
Entre os setores analisados, Material de Construção liderou o crescimento no acumulado do ano, com avanço de 4%. Na sequência, apareceram Combustíveis e Lubrificantes (3,7%) e o grupo composto por Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática (3,5%). Também encerraram 2025 em alta os segmentos de Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios (3,1%), Veículos, Motos e Peças (2,8%) e Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas (1,8%).
Segundo Camila, essas diferenças refletem o grau de dependência de crédito e o perfil de consumo de cada setor ao longo do ano. “Segmentos menos sensíveis ao custo do crédito ou ligados a demandas mais estruturais conseguiram preservar melhor o ritmo de crescimento. Já aqueles mais expostos ao financiamento sentiram com mais força os efeitos do aperto monetário”, observa.
Evolução mensal
Na leitura mensal, o indicador da Serasa Experian apontou crescimento de 1,7%, o que representa uma aceleração de 1,5 ponto percentual em relação a novembro. Na divisão por setores, apenas Veículos, Motos e Peças e Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas registraram variações positivas, de 13,1% e 0,1%, respectivamente.
Os demais segmentos tiveram desempenho negativo no mês: Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática (-0,1%), Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios (-0,6%), Material de Construção (-2,2%) e Combustíveis e Lubrificantes (-3,3%).














