De acordo com dados da Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, o mercado brasileiro de veículos iniciou 2026 em alta. Em janeiro, os emplacamentos cresceram 7,4% em relação ao mesmo mês de 2025, mesmo com um dia útil a menos. Na comparação com dezembro, houve a retração típica do início de ano, influenciada pelas férias, pela menor atividade econômica e por ajustes de estoque ao longo da cadeia.
Para o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o resultado confirma a força da demanda por veículos novos, apesar do crédito ainda caro e seletivo. “O setor começa 2026 em bases consistentes. Mesmo com menos dias úteis, o crescimento é real, o que mostra manutenção da demanda”, afirma.
Automóveis e Comerciais Leves
O segmento de automóveis e comerciais leves ficou praticamente estável frente a janeiro de 2025, desempenho considerado positivo diante do menor número de dias úteis em 2026. O movimento indica que há demanda, mas ainda fortemente condicionada ao custo do financiamento e à renda das famílias.
Na comparação com dezembro, a queda observada é vista como puramente sazonal, característica do primeiro mês do ano, e não altera o quadro de estabilidade para o início de 2026. “Os veículos leves começam o ano mantendo nível de atividade. O mercado segue sensível às condições de crédito, mas mostra capacidade de sustentar volumes”, avalia Arcelio Junior.
Automóveis e Comerciais Leves – Híbridos
Entre os híbridos, o ano começou com alta expressiva em relação a janeiro de 2025. Foram 19.170 emplacamentos no mês, número que, segundo o presidente da Fenabrave, confirma a ampliação do portfólio de modelos disponíveis no país e a consolidação da demanda por esse tipo de motorização. A tendência reforça a eletrificação gradual da frota, ainda que em ritmo moderado.
Automóveis e Comerciais Leves – Elétricos Puros
O desempenho dos elétricos puros foi ainda mais forte em termos percentuais. Em janeiro, o segmento somou 8.221 unidades emplacadas, superando com folga o volume do mesmo mês do ano anterior. “Os elétricos vêm conquistando resultados consistentes e já demonstram potencial para ter papel relevante no processo de descarbonização da frota brasileira”, analisa Arcelio Junior.
Caminhões
Nos caminhões, o ano começou em queda, sem refletir ainda os efeitos do programa Move Brasil, que deverá ganhar tração nos próximos meses. O pacote do governo federal prevê aporte de R$ 10 bilhões neste primeiro semestre, com foco em renovação de frota e estímulo à aquisição de veículos pesados.
“O desempenho dos caminhões está diretamente atrelado ao nível de atividade econômica, ao agronegócio e ao custo do crédito. Com o Move Brasil, esperamos retomada dos emplacamentos, sobretudo entre os pesados, que respondem por cerca de 45% do mercado”, projeta o presidente da Fenabrave.
Ônibus
O segmento de ônibus registrou retração na comparação anual, em linha com o calendário de renovações de frota e com o ritmo dos investimentos públicos em mobilidade urbana e transporte intermunicipal. “É um mercado que costuma oscilar conforme programas específicos e contratos de renovação. O comportamento de janeiro está dentro dessa lógica”, observa Arcelio Junior.
Implementos Rodoviários
Os implementos rodoviários também apresentaram queda frente a janeiro de 2025. Segundo a Fenabrave, o movimento reflete a estratégia recente dos transportadores, que vêm priorizando a renovação dos caminhões em detrimento da compra de implementos.
“O segmento sente o impacto da decisão de investir primeiro no cavalo-mecânico e só depois na composição completa. Apesar da retração inicial, a expectativa é de estabilização ao longo de 2026”, afirma o dirigente.
Motocicletas
Mais uma vez, as motocicletas se consolidaram como o principal motor de crescimento do setor. O segmento registrou forte expansão em relação a janeiro do ano passado, reforçando uma tendência estrutural de aumento da demanda.
O avanço é impulsionado principalmente pelo uso profissional – em especial nos serviços de entrega –, pela procura por soluções de mobilidade individual com menor custo e pelo crescimento do consórcio como alternativa de acesso ao veículo. “O mercado de motos mantém uma trajetória consistente de expansão, apoiado em mudanças no perfil de mobilidade e no comportamento do consumidor”, comenta Arcelio Junior.
Motocicletas Eletrificadas
As motocicletas eletrificadas somaram 1.457 unidades emplacadas em janeiro, com forte alta percentual sobre 2025. Esse salto, porém, é influenciado pela base ainda reduzida de comparação. “Oscilações intensas são comuns em categorias de menor volume, mas o saldo é claramente positivo para o segmento”, destaca o presidente da Fenabrave.
Máquinas Agrícolas
Tratores
No acumulado de 2025, o mercado de tratores fechou em alta sobre 2024, com crescimento relevante no volume total comercializado, puxado principalmente pelos modelos de menor porte, de até 100 cv. Esse perfil indica maior dinamismo entre pequenos e médios produtores e também no uso fora da agricultura tradicional, como serviços e manutenção de áreas urbanas e industriais.
Apesar do resultado positivo no ano, o desempenho ficou abaixo das expectativas iniciais. O setor de máquinas agrícolas foi pressionado pela queda na rentabilidade do produtor rural, pelo alto nível de endividamento no campo e por um ambiente de crédito restrito. “Foi um ano desafiador. Custos elevados, juros altos e margens apertadas limitaram investimentos, sobretudo no primeiro semestre. Ainda assim, houve recuperação gradual no decorrer de 2025”, avalia Arcelio Junior.
Colheitadeiras e Projeções para 2026
As colheitadeiras também encerraram 2025 em terreno positivo no acumulado, embora com oscilações mensais ao longo do ano, refletindo a safra, as condições climáticas e a dinâmica de liberação de crédito.
Para 2026, a Fenabrave projeta crescimento de 3,4% para o conjunto de máquinas agrícolas – somando tratores e colheitadeiras. A expectativa é de um ambiente um pouco mais favorável para investimento no campo, condicionado à evolução do crédito, ao comportamento dos preços das commodities e à capacidade de recomposição da renda do produtor.













