O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) manifestou apoio à decisão do governo federal de não renovar a isenção temporária do Imposto de Importação para veículos elétricos e híbridos montados no país nos regimes CKD (Completely Knocked Down – completamente desmontados) e SKD (Semi Knocked Down – semidesmontados). O benefício, que vigorou até 31 de janeiro de 2026, expirou sem prorrogação, o que representa, segundo a entidade, uma vitória para a indústria nacional, a cadeia automotiva e os trabalhadores brasileiros.
Em nota divulgada, o presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, destacou que a medida atende a uma “legítima e justa solicitação” de diversas entidades do setor automotivo, incluindo associações patronais e sindicatos de metalúrgicos. “Prevaleceu o bom senso”, afirmou Cervone, lembrando que o Ciesp esteve entre as organizações que mais se mobilizaram pelo fim da isenção.
O dirigente citou estudo recente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) que alerta para os riscos da manutenção ou ampliação desse tipo de incentivo. De acordo com os dados, a predominância da montagem a partir de kits importados poderia eliminar cerca de 69 mil empregos diretos nas montadoras nacionais. Considerando os efeitos em cascata na cadeia produtiva (autopeças, logística, serviços e concessionárias), o impacto total chegaria a aproximadamente 230 mil postos de trabalho indiretos, totalizando perto de 300 mil vagas preservadas com o fim do benefício.
“Ou seja, estão sendo preservadas aproximadamente 300 mil vagas para trabalhadores brasileiros, além de evitar perdas em produção e arrecadação que chegariam a R$ 103 bilhões”, enfatizou Cervone. Ele concluiu reforçando que o posicionamento unificado de entidades patronais e laborais em defesa do fim da isenção demonstra o consenso em torno da proteção da indústria nacional: “Não foi sem razão que entidades de classe patronais e laborais defenderam o fim da isenção, que é positiva para a indústria, a cadeia automotiva, que é bem estruturada, e a economia nacional”.
A isenção temporária, instituída em agosto de 2025 por meio de portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), permitia a importação de kits com alíquota zero dentro de uma cota limitada (cerca de US$ 463 milhões). A medida beneficiou especialmente montadoras estrangeiras, como a chinesa BYD, que aceleraram a entrada no mercado brasileiro com montagem local de peças majoritariamente importadas. Com o término do regime especial, as tarifas voltaram a incidir: atualmente, 16% para CKD e 18% para SKD, com previsão de elevação gradual até 35% em janeiro de 2027, alinhando-se ao cronograma de taxação para veículos eletrificados importados prontos.
A decisão reflete o debate mais amplo sobre equilíbrio concorrencial na transição para a mobilidade elétrica no Brasil, priorizando investimentos em produção local com maior conteúdo nacional, geração de empregos qualificados e fortalecimento da cadeia produtiva instalada no país.














