O Índice Nacional de Confiança (INC), divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), recuou 2 pontos em janeiro em relação a dezembro de 2025, voltando ao nível considerado neutro, de 100 pontos. O movimento interrompe uma sequência de quatro altas mensais consecutivas.
O INC varia de zero a 200 pontos. Resultados acima de 100 indicam otimismo do consumidor; abaixo desse patamar, prevalece o pessimismo. A pesquisa foi feita com 1.679 famílias em todo o país, em capitais e cidades do interior.
Regionalmente, o quadro é desigual: a confiança avançou nas regiões Centro-Oeste, Sul e Nordeste, enquanto recuou no Norte e no Sudeste.
Por classe socioeconômica, o cenário também é misto. As famílias das classes AB e DE registraram aumento de confiança, ao passo que a classe C apresentou queda.
Na divisão por gênero, o INC de janeiro mostra alta entre os homens e redução entre as mulheres, sempre na comparação com dezembro de 2025.
Segundo a ACSP, as famílias relatam uma percepção um pouco melhor sobre sua situação financeira atual, mas as expectativas em relação à renda futura e ao mercado de trabalho pioraram. A sensação de segurança no emprego, por sua vez, permaneceu estável.
“A piora das expectativas em relação ao emprego e à renda resultou em menor disposição para comprar itens de maior valor, como automóveis e imóveis, além de bens duráveis, como geladeira e fogão, e também reduziu a propensão a investir”, avalia a entidade.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, o mercado de trabalho ainda vem gerando aumentos de renda e ocupação e, somado ao novo consignado e a outras transferências de renda do governo, continua sustentando o ânimo e o consumo das famílias. “Porém, os prováveis efeitos positivos dessa dinâmica da renda sobre a confiança parecem ser mais do que compensados pelo alto grau de endividamento das famílias e pela desaceleração econômica provocada pelos juros elevados”, afirma.

















