CNC: endividamento atinge recorde histórico em janeiro

Endividamento das Famílias Bate Recorde Histórico em Janeiro, Aponta CNC

A fatia de famílias brasileiras com algum tipo de dívida voltou a atingir 79,5% em janeiro de 2026, igualando o recorde da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), alcançado pela primeira vez em outubro de 2025. O dado, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representa alta de 0,6 ponto percentual em relação a dezembro.

Apesar do novo pico de endividamento, o percentual de famílias com parcelas em atraso recuou para 29,3%, o menor nível desde abril do ano passado.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o retorno do endividamento ao topo da série precisa ser lido com atenção. “É uma variável da economia estreitamente ligada à taxa de juros cobrada no Brasil, uma das maiores do mundo”, afirma. “É fundamental priorizar o equilíbrio das contas públicas para que a política monetária possa ser flexibilizada, aliviando a carga sobre consumidores e empresas.”

Comprometimento de renda e percepção das famílias

A pesquisa mostra que, em média, 29,7% da renda mensal das famílias está comprometida com dívidas, porcentual que subiu em janeiro. Além disso, a avaliação subjetiva dos consumidores também preocupa: 16,1% dos entrevistados se declaram “muito endividados”, maior taxa desde outubro de 2025.

Perspectivas para os próximos meses

A CNC projeta que o endividamento deve continuar em alta ao longo do primeiro semestre de 2026, impulsionado pelo uso do crédito para manter o padrão de consumo. A tendência, porém, é de queda contínua da inadimplência, apoiada na expectativa de início do ciclo de redução da taxa Selic.

“Nossa expectativa é de alívio no atual aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom. Essa percepção, praticamente unânime entre os analistas, tende a reduzir os juros finais ao consumidor já no segundo trimestre deste ano”, avalia o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Diferenças por faixa de renda

Os dados detalhados indicam que as famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos foram as que mais ampliaram o endividamento e as que tiveram maior dificuldade para manter as contas em dia em janeiro. No outro extremo, famílias com renda superior a 10 salários mínimos foram as únicas que registraram queda no indicador de incapacidade de pagamento.

O cartão de crédito segue como principal ferramenta de endividamento, presente em 85,4% das dívidas. Quando se observa o peso das parcelas no orçamento, o quadro é ainda mais delicado: cerca de 19,5% das famílias brasileiras vivem com menos da metade da própria renda disponível, já que mais de 50% do que ganham está comprometido com o pagamento de dívidas.