Na década de 1990, começaram a chegar às oficinas independentes os primeiros carros nacionais com injeção eletrônica. A história é conhecida: a entrada da eletrônica, substituindo um sistema mecânico dominado por todos, gerou insegurança entre os reparadores. Só que o fim do carburador era apenas o começo. A nova tecnologia abriu caminho para uma série de recursos adicionais no veículo e elevou o nível de complexidade com a introdução da rede CAN (Controller Area Network), conectando diferentes ECUs. Hoje, convivemos com veículos conectados, elétricos e com sistemas que já se aproximam da direção autônoma.
E por que retomar esse tema agora, no início do ano? Porque a mensagem é clara: do Fusca ao BYD, o mecânico brasileiro não se intimidou. Foi atrás de informação, treinamento, atualização técnica e estrutura para acompanhar a evolução tecnológica do automóvel. O presidente do Sindirepa-SP, Antonio Fiola, costuma lembrar que não existe carro parado no Brasil por falta de mecânico capacitado para fazer o reparo.
O mesmo raciocínio vale para o varejo de autopeças. Durante décadas, as lojas trabalharam com processos essencialmente analógicos. A oferta ainda tímida de catálogos eletrônicos já indicava que algo estava mudando. Depois veio o choque definitivo: exigências fiscais, como a nota fiscal eletrônica, e a expansão do e-commerce também para componentes automotivos.
O varejo foi se adaptando, é verdade, mas assim como na reparação, as transformações são contínuas e cada vez mais complexas. Da mesma forma que muitos duvidaram, lá atrás, de que a injeção eletrônica “pegaria” no Brasil, hoje ainda há quem não perceba que já estamos vivendo a era da inteligência artificial dentro das lojas.
É nesse contexto que a reportagem de capa que abre nossa jornada em 2026 ganha relevância. Mais uma vez, acompanhamos de perto as principais novidades apresentadas na NRF Retail’s Big Show, realizada em janeiro, em Nova York. Reconhecida como o maior evento de varejo do mundo, a feira antecipa com precisão as grandes macrotendências do setor.
Um alerta: o conteúdo que você vai ler pode causar certo impacto à primeira vista. As inovações discutidas parecem, à distância, fora da realidade do varejo de autopeças. Mas essa impressão engana. Basta observar a velocidade com que ferramentas de IA vêm sendo incorporadas ao ambiente corporativo. Hoje, 59% das empresas do varejo já utilizam alguma solução de inteligência artificial em seus negócios. A sua loja faz parte desse grupo?
Em resumo: não deixe de ler a reportagem de capa e a entrevista desta edição. Se, ao terminar a leitura, você achar que essas novidades ainda estão longe da sua realidade, vale repensar. Elas já estão batendo à porta. Aproveite a oportunidade: esse conteúdo coloca a inovação de que você precisa ao alcance dos seus olhos.

















