Rotatividade no varejo de São Paulo atinge 60,3% e registra recorde em 2025

Rotatividade no varejo de São Paulo bate recorde e atinge 60,3% em 2025

A taxa de rotatividade da mão de obra com carteira assinada no comércio da cidade de São Paulo atingiu em 2025 o maior nível desde o início do Novo Caged, chegando a 60,3% no acumulado do ano. Na prática, o índice indica um vaivém intenso de contratações e demissões, com mais da metade dos vínculos formais do setor sendo renovada ao longo de 12 meses. O resultado é quase 60% superior ao observado em 2020, no começo da série histórica.

Levantamento do Sindilojas SP, com base nos dados do Novo Caged, mostra que essa movimentação não ocorreu de forma uniforme entre as diferentes atividades do varejo. A entidade analisou 75 subsetores que, juntos, empregaram mais de 611 mil trabalhadores com carteira assinada em 2025, e encontrou segmentos com índices de rotatividade considerados extremos.

O varejo de artigos usados e as lojas de conveniência lideram o ranking, ambos com taxas acima de 90%. Em seguida aparecem o varejo de bebidas, com rotatividade próxima de 85%, além das lojas de variedades e do comércio de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal, com índices em torno de 80%.

Entre os segmentos com maior peso em geração de emprego, os números também são elevados. Minimercados, mercearias e armazéns registraram taxa de 77,8%, enquanto o varejo de vestuário e acessórios chegou a 71,8%. Somadas, essas duas atividades reúnem quase 100 mil postos formais na capital, o que amplia os impactos operacionais e econômicos associados ao alto turnover.

O comportamento do varejo acompanha o movimento do mercado de trabalho em geral. No Estado de São Paulo, considerando todos os setores econômicos, a taxa de rotatividade foi de 56,6% em 2025, também o maior patamar desde 2020. O aquecimento do emprego formal ajuda a explicar essa dinâmica. No fim do ano passado, a taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,1%, o menor nível da série, reforçando um cenário mais favorável ao trabalhador.

Segundo o Sindilojas SP, períodos de maior criação de vagas tendem a estimular a mobilidade profissional. Com mais opções disponíveis, os trabalhadores se sentem mais seguros para buscar melhores salários, benefícios ou condições de jornada, o que eleva os desligamentos voluntários e acelera o ciclo de contratações. Esse padrão é ainda mais visível em setores intensivos em mão de obra, como o comércio varejista.

A entidade destaca, no entanto, que a alta rotatividade no varejo não é apenas um efeito do momento econômico. O setor tem características estruturais que tradicionalmente puxam o índice para cima em relação à média da economia: grande volume de funções operacionais, forte presença de profissionais em início de carreira, peso da sazonalidade nas vendas e maior incidência de jornadas flexíveis. Ainda assim, o nível registrado em 2025 é considerado atipicamente elevado.

“O varejo é um dos maiores empregadores urbanos e, naturalmente, apresenta maior dinamismo na movimentação de mão de obra. Entretanto, quando a rotatividade atinge patamares excessivos, os efeitos deixam de ser apenas estatísticos e passam a gerar impactos concretos sobre custos, produtividade e qualidade do serviço prestado ao consumidor”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas SP.

Para as empresas, a troca constante de funcionários significa aumento das despesas com rescisões, recrutamento e treinamento, além de perdas de eficiência operacional e mais dificuldade para formar equipes experientes e estáveis. Do ponto de vista dos trabalhadores, essa dinâmica pode trazer maior instabilidade de renda, descontinuidade na acumulação de benefícios e obstáculos adicionais à progressão na carreira.

Na avaliação do Sindilojas SP, embora algum grau de rotatividade seja esperado em mercados de trabalho dinâmicos, níveis persistentemente altos tendem a gerar ineficiências, ampliar a incerteza e reduzir a competitividade do setor. O quadro de 2025 reforça a necessidade de investir em qualificação, retenção de talentos e melhoria das condições de trabalho, sobretudo nas atividades com maior intensidade de turnover.