No Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, o Sistema Comércio tem motivos concretos para celebrar em Minas Gerais e em todo o Brasil: a presença feminina é decisiva para o setor. Levantamento do Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG mostra que as mulheres sustentam a espinha dorsal do atendimento no comércio, o coração da atividade.
Hoje, elas somam aproximadamente 7,9 milhões de trabalhadoras no comércio brasileiro, sendo cerca de 790 mil em Minas Gerais. Em todo o país, ocupam majoritariamente a linha de frente no contato com o cliente: representam 85,5% dos operadores de caixa, 65,0% dos atendentes de lojas e mercados e 65,7% dos atendentes de farmácias e balconistas.
Quando se trata de cargos de gestão no varejo, porém, a participação cai. As mulheres ocupam 49,7% dos postos de gerência em lojas e supermercados. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 indicam que elas respondiam por 45,4% dos cargos de liderança no comércio, incluindo diretorias, gerências e posições de direção.
Além do emprego formal, um estudo da Fecomércio MG realizado em 2025 destaca o peso econômico das empreendedoras do comércio mineiro. A pesquisa investigou desafios, necessidades e motivações dessas empresárias e revelou um cenário em que o negócio próprio é, em grande medida, sinônimo de sobrevivência: para 93,79% das entrevistadas, a principal fonte de renda é a própria empresa, e 59,7% são as principais provedoras financeiras de suas famílias.
No início da jornada empreendedora, o maior obstáculo apontado foi o acesso a recursos financeiros (35,1%), seguido pela dificuldade em formar parcerias (19,5%) e pela sobrecarga com responsabilidades familiares (11,5%). Esses fatores evidenciam barreiras estruturais que limitam desempenho e crescimento dos negócios liderados por mulheres.
Entre aquelas que já estão com seus empreendimentos em operação, os principais desafios atuais são a contratação de funcionários (27,8%), a concorrência crescente (22,2%) e a gestão de equipes (9,1%). O acesso a redes de apoio, grupos ou mentorias voltadas para mulheres empreendedoras também é restrito: 91% afirmam não contar com esse tipo de suporte. O conjunto desses dados mostra que, embora o empreendedorismo feminino ganhe espaço e relevância econômica, ainda há gargalos que exigem políticas públicas, apoio institucional e soluções em qualificação, crédito e fortalecimento de redes de suporte.
Programa Fé Nelas
No dia 07 de abril, o Sesc Palladium, em Belo Horizonte, recebe uma nova edição do Programa Fé Nelas, da Fecomércio MG, em evento presencial voltado à ampliação da rede de mulheres empreendedoras do estado. O encontro tem como objetivo ampliar oportunidades de capacitação para o público feminino e criar conexões com entidades e organizações parceiras. As inscrições podem ser feitas pelo site www.fenelas.com.br.
Desde seu lançamento, em 2025, o Fé Nelas vem oferecendo formação a mulheres em situação de vulnerabilidade, desempregadas, com mais de 50 anos, mães, trabalhadoras informais, profissionais em transição de carreira e microempreendedoras.
A edição de abril reunirá palestrantes reconhecidas e engajadas com o empreendedorismo feminino. A programação completa está disponível na página do evento: https://www.sympla.com.br/evento/fe-nelas/3315556.
Estão confirmadas as participações da jornalista, comunicadora e atriz Lu Campos, como mediadora e mestre de cerimônias; da pesquisadora da PUC Minas Sabrina Mendes; da escritora Michelle Silva (Senac SP); de Nancy Pereira de Amorim e Juliana Gaudêncio (SESC MG); da psicóloga e diretora de RH da ManpowerGroup Brasil, Wilma Dal Col; de Márcia Queirós e Michelle Wadhy, fundadoras da Fast Escova; e de Karina Forlenza, autora do livro “Quebre o teto de vidro”. Outras atrações e detalhes podem ser consultados no link de inscrição.
O Fé Nelas também vai tratar do tema da segurança das mulheres. A palestra “Insegurança Feminina na Sociedade – Quando a mulher se reescreve” contará com a participação de Letícia Camboge, delegada-geral da Polícia Civil de Minas Gerais; da médica e major da PMMG, Dra. Soraia Joislane; e de Juthay Nogueira, do Projeto Romper Morro das Pedras.

















