Alta foi puxada principalmente pelo diesel S-10, gasolina apresenta variação de mais de 1%; altas chegam a quase 18% em alguns estados
Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que tem pressionado o preço do petróleo no mercado internacional, os valores médios do diesel registraram alta relevante nos primeiros dias de março nos postos brasileiros, segundo dados do IPTL (Índice de Preços Edenred Ticket Log), levantamento que consolida o comportamento de preços das transações realizadas nos postos de combustível em todo o país, garantindo uma média precisa.
Na comparação entre os preços médios da última semana de fevereiro e os da primeira semana de março, o diesel S-10 subiu 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61. No mesmo período, a gasolina teve variação mais moderada do que as do diesel, mas também relevante, de 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52.
De acordo com Vinicios Fernandes, Diretor de Frete na Edenred Mobilidade, o diesel costuma ser o combustível que reage primeiro a movimentos mais bruscos no mercado internacional de petróleo, principalmente por ter forte relação com a dinâmica do transporte de cargas no País. Ademais, o Brasil ainda não é autossuficiente na produção do combustível e importa entre 20% e 30% do diesel consumido internamente, o que torna o mercado mais sensível a oscilações internacionais, principalmente em momentos de tensão geopolítica que afetam rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.
“Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros sinais apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer pressão de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado. Em cenários de maior volatilidade internacional, reajustes também começam a aparecer ao longo da cadeia de abastecimento, algo que já começa a ser percebido no mercado nos últimos dias, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes oficiais nas refinarias’’, explica Fernandes.
Nos últimos dias, o preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, diante do temor de impactos na oferta global de energia e na economia mundial. O executivo alerta ainda que já há sinais de maior pressão na oferta em alguns pontos da cadeia de abastecimento.
“Graças a nossa rede de postos credenciados da Edenred Mobilidade e do relacionamento próximo com esses parceiros, conseguimos acompanhar de perto o que está acontecendo na ponta da distribuição. Nos últimos dias, alguns postos já têm relatado dificuldade de reposição em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar um cenário de oferta mais apertada caso as restrições logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem”, afirma Fernandes.
“Ainda é cedo para afirmar que haverá falta de combustível e é importante ter cautela nesse momento. A própria Petrobras ainda não anunciou reajustes e costuma avaliar o comportamento do mercado antes de fazer qualquer movimento. De toda forma, seguimos monitorando a situação de perto e, se houver algum impacto mais relevante, temos tecnologia para apoiar nossos clientes e até mesmo o público geral, indicando pontos com disponibilidade de combustível para abastecimento, como já fizemos em momentos críticos do setor, como durante a greve dos caminhoneiros de 2018”, completa.
Altas regionais
Regionalmente, as maiores altas do diesel foram registradas no Nordeste, onde o diesel comum subiu 13,17% e o diesel S-10 avançou 8,79% no período. A região também registrou a maior média do País para o diesel comum, chegando a R$ 7,22 por litro. O Centro-Oeste também apresentou variações relevantes, com alta de 7,45% no diesel e 7,11% no S-10, movimento que ocorre em uma região estratégica para o escoamento da produção agrícola do País. Já nas demais regiões, os aumentos para o tipo comum do diesel foram mais moderados, embora também relevantes, com avanço de 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste. No caso do diesel S-10, a maior média foi registrada no Norte, com R$ 7,00 por litro. Entre as gasolinas, o Norte também liderou em preço, com média de R$ 6,93, enquanto a maior alta foi observada no Nordeste, de 3,21%.
Nos recortes estaduais, os dados também mostram variações relevantes entre os combustíveis. No caso do diesel comum, o maior preço médio foi registrado em Roraima, com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor foi observado em Pernambuco, com R$ 6,23. O maior aumento foi registrado no Piauí, de 17,45%, com o combustível chegando a R$ 7,74. Já no diesel S-10, o maior preço médio foi observado no Acre, também com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor foi registrado no Rio Grande do Sul, com R$ 6,26. A Bahia apresentou o maior aumento, de 11,46%.
No caso da gasolina, o maior preço médio foi registrado em Rondônia, com R$ 7,90 por litro, estado que também apresentou a maior alta no período, de 13,18%. Já o menor preço médio foi observado na Paraíba, com R$ 6,26. O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log, com uma robusta estrutura de data science que consolida o comportamento de preços das transações nos postos, trazendo uma média precisa, que tem grande confiabilidade, por causa da quantidade de veículos administrados pela marca: mais de 1 milhão, com uma média de 55 transações por segundo. A Edenred Ticket Log, marca da linha de negócios de Mobilidade da Edenred Brasil, conta com mais de 30 anos de experiência e se adapta às necessidades dos clientes, oferecendo soluções















