A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou em março o quinto mês consecutivo de alta, alcançando 104,6 pontos. O índice avançou 0,4% no mês, já descontados os efeitos sazonais, e atingiu o maior nível desde março de 2015, quando marcou 107,8 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 2,4%.
O principal fator por trás desse movimento é o item “Momento para Compra de Bens Duráveis”, que deu um salto de 16,6% em relação a março de 2025. Só em relação a fevereiro, esse componente cresceu 1,9%, chegando a 74,9 pontos. Apesar de ainda abaixo da linha dos 100 pontos — limite que separa pessimismo de otimismo — esse é o maior patamar desde abril de 2015. O avanço é impulsionado pela desaceleração de preços no segmento: enquanto o IPCA acumulou 3,81% em 12 meses até fevereiro, a inflação de bens duráveis foi de apenas 0,62% no mesmo período.
“É positivo ver que a população confia no seu poder de compra de itens duráveis e que todas as faixas econômicas registram esse otimismo”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. “Para que essa equação se mantenha equilibrada e não aumente ainda mais os níveis de endividamento e inadimplência, é fundamental que a política monetária do Banco Central e as autoridades financeiras promovam a redução dos juros. Isso deve garantir a sustentabilidade desse ciclo de consumo e produção, que é um movimento virtuoso para todo o País”, completa.
Por faixa de renda A intenção de consumo cresceu em todos os estratos de renda em março, consolidando um quadro de recuperação pelo quinto mês seguido. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o nível de intenção de compra ficou 2,9% acima do observado em março de 2025. No grupo com renda superior a 10 salários mínimos, houve alta mensal de 1,2%.
Relação entre emprego e consumo Mesmo com o ambiente mais favorável ao consumo de produtos de maior valor agregado, os indicadores ligados ao mercado de trabalho recuaram, o que adiciona um sinal de cautela ao quadro geral. O componente “Emprego Atual” registrou queda de 0,6% tanto na comparação mensal quanto na anual. De forma ainda mais intensa, a “Perspectiva Profissional” dos consumidores teve retração de 5,5% em relação a março do ano passado, apontando maior desconfiança em relação à evolução das carreiras no curto prazo.
Sobre a ICF A Intenção de Consumo das Famílias é medida mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a partir da percepção de 18 mil famílias em todo o País. Hoje, o índice permanece acima da zona de indiferença (100 pontos), o que indica, no geral, um sentimento de satisfação por parte da população.

















