Como o mercado de reposição automotiva contribui para a sustentabilidade e a renovação da frota brasileira

Como o Mercado de Reposição Automotiva Impulsiona a Sustentabilidade e a Renovação da Frota Brasileira

Por Simone de Azevedo

Nos últimos anos, o Brasil vem passando por uma mudança estrutural no mercado automotivo. Com o crédito mais restrito e os modelos zero quilômetro de entrada acima de R$ 75 mil, os seminovos e usados assumiram o protagonismo da mobilidade urbana no país.

Os números confirmam essa virada. Para 2025, as projeções indicam a comercialização de mais de 18 milhões de veículos em revendas, um crescimento de 15% em relação a 2024. A relação entre usados e novos também mudou de patamar: hoje, para cada veículo zero quilômetro vendido, mais de cinco usados trocam de mãos.

Os dados da Fenauto e da Anfavea se conectam diretamente ao aumento da idade média da frota. De acordo com o Sindipeças, entre 2014 e 2024, a frota brasileira envelheceu quase 30%, superando 10 anos de idade média por veículo.

Com um cenário econômico desafiador, a tendência é de continuidade desse movimento em 2026. Nesse contexto, a manutenção automotiva deixa de ser apenas uma etapa do pós-venda e passa a ser um elo essencial para a sustentabilidade da frota nacional. Em um país em que milhões dependem do carro para trabalhar, se deslocar e acessar serviços básicos, a condição dos veículos afeta diretamente a segurança viária e até a produtividade da economia.

Componentes desgastados, revisões postergadas e uso de peças de baixa qualidade aumentam o risco de falhas mecânicas, acidentes e paradas inesperadas. Não se trata apenas de um problema para o proprietário: esses impactos se espalham pela mobilidade urbana como um todo.

Por isso, o aftermarket automotivo não deve ser enxergado apenas como um segmento de reposição. É ele que permite aos seminovos prolongarem sua vida útil com segurança, desempenho adequado e maior previsibilidade de custos. Em um país de frota envelhecida como o Brasil, o aftermarket é, na prática, o garantidor da sustentabilidade dos veículos que permanecem mais tempo nas ruas.

Nesse cenário, peças certificadas e de procedência confiável tornam-se estratégicas. Elas preservam o bom funcionamento do veículo, reduzem o risco de falhas prematuras e ajudam a manter padrões essenciais de proteção para o carro, o condutor e a sociedade. Além disso, agregam valor ao ativo: em um mercado de usados mais aquecido e profissionalizado, o histórico de manutenção e a qualidade das peças utilizadas influenciam diretamente o preço de revenda.

Esse movimento não é exclusivo do Brasil. Um estudo da Grand View Research aponta que, até 2033, o aftermarket automotivo global deve movimentar mais de US$ 643 bilhões, impulsionado justamente pela busca dos motoristas por melhor desempenho, segurança, durabilidade e personalização de seus veículos.

No caso brasileiro, essa tendência ganha ainda mais peso diante do nosso cenário macroeconômico. Em um país onde o carro usado se tornou regra, e não exceção, o aftermarket automotivo deixa de ser coadjuvante e assume um papel central na engrenagem que mantém o Brasil em movimento.

Simone de Azevedo é sócia e CEO de Estratégias da Mobensani