O boom da inteligência artificial e da transformação digital tem exigido não apenas mais processamento de dados, mas também uma logística extremamente sofisticada para transportar e armazenar equipamentos sensíveis de alto valor. No Brasil, esse movimento já se reflete em números concretos: a Libraport, empresa especializada em intralogística, movimentou mais de 1.182 racks de data centers ao longo de 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, outras 459 unidades foram manuseadas, elevando o total recente para mais de 1,6 mil racks.
Essa demanda crescente acompanha a expansão acelerada da infraestrutura digital. Globalmente, projeções indicam que a infraestrutura de data centers e computação em nuvem pode demandar investimentos da ordem de US$ 6 trilhões até 2030, impulsionados principalmente pela IA generativa. No Brasil, o cenário é igualmente otimista: o governo estruturou o regime Redata, que prevê R$ 5,2 bilhões em incentivos fiscais já em 2026, com potencial de atrair até R$ 2 trilhões em investimentos no setor nos próximos anos.Data centers não são simples galpões cheios de servidores. O transporte e a armazenagem de racks exigem controle rigoroso de temperatura, umidade, vibração e segurança, além de equipes especializadas para evitar qualquer dano aos equipamentos que podem valer milhões. É uma logística de precisão cirúrgica, que começa muito antes da ativação dos servidores.
Diante desse cenário, a Libraport montou em 2025 uma operação dedicada ao segmento em Campinas (SP), um dos principais polos logísticos e tecnológicos do país. A unidade conta com 10 mil m², mais de 14 mil posições de palete e 20 docas, além de monitoramento 24 horas e padrões alinhados às melhores práticas do setor — a empresa é associada à Associação Brasileira de Data Center (ABDC).
“ A operação de um data center começa antes mesmo da energização dos equipamentos. Garantir a integridade total desde o desembarque até a instalação final é fundamental”, afirma Bruno Barbosa, diretor-presidente da Libraport.A escolha por Campinas não é aleatória. O interior paulista — especialmente a região entre Campinas, Jundiaí e São Paulo — vem se consolidando como hub nacional para projetos de tecnologia graças à boa malha viária, proximidade com aeroportos internacionais e ecossistema consolidado de fornecedores e talentos.Para 2026 e anos seguintes, o otimismo prevalece.
Mesmo com desafios como demanda energética crescente e necessidade de mão de obra qualificada, os incentivos governamentais e o interesse de grandes players internacionais indicam que a logística especializada terá papel cada vez mais estratégico. No fim das contas, o sucesso dos data centers brasileiros dependerá tanto da capacidade computacional quanto da eficiência e segurança da cadeia de suprimentos que os suporta.

















