A confiança do empresário paulistano do comércio recuou 0,4% em março, ao passar de 103,3 pontos, em fevereiro, para 102,9 pontos. Foi a segunda queda consecutiva do indicador, que ainda assim registra alta de 5% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a combinação de desaceleração das vendas, juros elevados e aumento da inadimplência reduziu o fôlego do consumo e levou as empresas a adotar uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos e formação de estoques.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) é calculado mensalmente pela entidade, em uma escala de 0 a 200 pontos, na qual 100 separa pessimismo de otimismo.
Entre os três componentes do ICEC, apenas o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) avançou. O indicador subiu 1,2%, de 126,7 pontos, em fevereiro, para 128,3 pontos, em março, e acumula alta de 5% em relação a março de 2025.
Já o índice que mede as condições correntes do comércio (ICAEC) interrompeu uma sequência de quatro altas e caiu 3,1%, passando de 78 para 75,6 pontos. Na comparação anual, houve crescimento de 2,4%, mas o item continua sendo o de pior avaliação dentro do ICEC: está abaixo de 100 pontos há 37 meses seguidos. De acordo com a FecomercioSP, mesmo com alguma reação nas vendas, os empresários seguem insatisfeitos com a rentabilidade, a pressão de custos, os juros ainda altos e o rumo da política econômica.
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) também recuou, embora de forma moderada: queda de 0,4% em março, para 105 pontos. Frente ao mesmo mês de 2025, porém, o indicador cresceu 6,9%. Para a entidade, o movimento reflete maior prudência dos empresários diante das incertezas do cenário econômico.
Depois de quatro altas seguidas entre outubro e janeiro, impulsionadas pelo período de fim de ano, o ICEC se firmou acima da linha dos 100 pontos. Para os próximos meses, a expectativa é de alguma recuperação, apoiada pelo início do ciclo de queda da taxa Selic e por datas que tendem a estimular o consumo, como o Dia das Mães. Ao mesmo tempo, a FecomercioSP alerta que o conflito no Oriente Médio, com impactos sobre o preço do petróleo, e as dúvidas em relação ao ambiente internacional devem pesar negativamente sobre a confiança.
A entidade chama atenção para o patamar ainda baixo do ICAEC, que revela um ambiente desafiador para as empresas. As margens comprimidas continuam pressionando o caixa, sobretudo dos negócios mais endividados.
Expansão do comércio
Mesmo em um quadro de desaceleração da atividade, as expectativas de contratação têm sustentado o Índice de Expansão do Comércio (IEC) na zona de otimismo. Em março, o indicador recuou 0,5%, para 107 pontos, mas ainda acumula alta de 5,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O principal fator para a queda no mês foi o comportamento do Nível de Investimento das Empresas (NIE), que mede a disposição dos comerciantes de investir em máquinas, equipamentos, reformas e ampliação dos negócios. O NIE recuou 1,3%, de 95,2 pontos, em fevereiro, para 94 pontos, em março. Na comparação anual, porém, a variação segue positiva, com alta de 3,3%. Segundo a FecomercioSP, o indicador oscila entre 94 e 97 pontos desde julho e permanece há 16 meses abaixo da fronteira de 100 pontos.
Já a expectativa de contratação de funcionários (ECF) praticamente não se alterou: leve alta de 0,1%, chegando a 120,1 pontos. Mesmo após o melhor período de vendas do ano, a propensão a contratar continua elevada, com o índice 7,6% acima do registrado em fevereiro de 2025.
Ainda assim, a entidade pondera que o quadro atual, somado à influência do calendário eleitoral, tende a conter parte do otimismo e a estimular uma postura mais conservadora, enquanto o empresariado aguarda sinais mais claros sobre os rumos da política econômica.
















