Índice de intenção de compra do varejo registra queda de 5,4% no 1º trimestre

Índice de Intenção de Compra do Varejo Cai 5,4% no 1º Trimestre e Acende Alerta para o Setor

O varejo físico brasileiro começou 2026 em queda, em um cenário de consumo mais contido. O Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV), calculado pela SEED Digital, recuou 5,4% no primeiro trimestre, em meio a oscilações mensais e perda de fôlego do poder de compra.

O indicador acompanha cerca de 58 milhões de visitantes por mês em milhares de lojas no país e mostra um início de ano irregular. Janeiro avançou 6,1%, impulsionado pelas liquidações e pela recomposição do fluxo após o período de festas. Em fevereiro, o movimento virou e houve retração de 10,2%, impactada pelo Carnaval. Março ensaiou reação, com queda bem mais moderada, de 0,7%, mas insuficiente para compensar o tombo do mês anterior e reverter o resultado negativo do trimestre.

O desempenho é resultado de uma combinação de fatores macroeconômicos e mudanças no comportamento do consumidor. A taxa básica de juros, ainda em patamar elevado, entre 14,75% e 15%, mantém o crédito caro e restrito. Ao mesmo tempo, pressões externas — como tensões geopolíticas e aumento de custos logísticos — comprimem o orçamento das famílias. Nesse ambiente, o consumo fica mais racional, com foco em valor percebido, comparação de preços e alta sensibilidade a promoções.

As diferenças regionais também chamam atenção. O Nordeste foi a única região com resultado levemente positivo no período, com alta de 0,3%. O Sul registrou a pior performance, com retração de 15,4%. No Sudeste, principal polo do varejo nacional, a queda foi de 4,7%, influenciada tanto pela migração de parte das vendas para canais digitais quanto por fatores pontuais, como eventos climáticos que afetaram o fluxo nas lojas físicas.

O estudo ainda destaca comportamentos distintos entre formatos de operação. Os shopping centers cresceram 2,6% no trimestre, apoiados em conveniência, mix de serviços e experiência de compra. Já o varejo de rua recuou 6,5%, mais exposto à volatilidade do movimento diário e ao consumidor mais cauteloso.

“Os dados do primeiro trimestre mostram um consumidor mais seletivo e um varejo que ainda opera sob pressão. Ao mesmo tempo, fica evidente que formatos com maior capacidade de gerar experiência e ativação comercial, como os shopping centers, conseguem responder melhor a cenários desafiadores. Para os próximos meses, vemos um ambiente mais favorável, impulsionado por datas relevantes e eventos que devem estimular o consumo”, afirma Sidnei Raulino.

Mesmo com o começo de ano negativo, o setor projeta algum alívio no segundo trimestre. Datas como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados, além de feriados prolongados e da preparação para eventos como a Copa do Mundo FIFA 2026, tendem a aumentar o fluxo no comércio. A expectativa incorpora ainda a possibilidade de uma redução gradual dos juros, o que poderia reaquecer o consumo ao longo de 2026.