Entre 8 e 11 de abril, Buenos Aires recebeu mais uma edição da Automechanika, segundo maior evento de aftermarket automotivo da América Latina, atrás apenas da Automec. A feira reuniu mais de 500 expositores de 30 países e atraiu mais de 30 mil visitantes profissionais de 42 nacionalidades, ocupando uma área superior a 33 mil m².
A delegação brasileira voltou a ter papel de destaque. O tradicional Pavilhão Brasil reuniu 68 empresas expositoras e reforçou o protagonismo do país na cadeia automotiva regional. Somado ao fato de a Argentina seguir como principal destino das exportações de autopeças brasileiras – com embarques superiores a US$ 2,3 bilhões em 2025 –, o cenário indica que as divergências políticas entre os dois governos não afetaram, até aqui, a dinâmica comercial do setor.
Na avaliação de Fabián Natalini, gerente de projeto da Automechanika Buenos Aires, a relação bilateral saiu, inclusive, fortalecida desta edição. “No âmbito do Encontro da Indústria Automotiva, foi firmado um acordo de trabalho conjunto entre AFAC, ADEFA, Sindipeças e Anfavea, que reforça a integração produtiva e a cooperação regional dentro da cadeia automotiva”, afirma.
Além do Brasil, a feira recebeu empresas de diversas regiões do mundo, ampliando a diversidade geográfica e consolidando o caráter internacional do evento. As companhias asiáticas tiveram presença expressiva, com a China liderando por meio de um pavilhão próprio com 68 expositores, além de empresas de Japão, Índia, Malásia, Singapura e outros mercados.
Para detalhar os resultados da edição 2026, as diferenças em relação aos anos anteriores e o papel da Automechanika na integração da cadeia automotiva latino-americana, Aftermarket Automotivo entrevistou Fabián Natalini.
Aftermarket Automotivo – Quais foram os principais números da edição 2026 da Automechanika Buenos Aires em termos de expositores, visitantes e participação internacional? Fabián Natalini – A edição 2026 da Automechanika Buenos Aires reuniu mais de 500 expositores de 30 países, com 750 marcas distribuídas em uma área superior a 33 mil m². Em relação ao público, recebemos mais de 30 mil visitantes profissionais de 42 países, o que representou números recordes e reafirmou o caráter internacional da feira.
Aftermarket Automotivo – Houve avanço na diversidade geográfica dos participantes? Fabián Natalini – Sim. Nesta edição, tivemos representação de 30 países, um salto significativo em comparação com 2024, que contou com participantes de 18 países. Esse avanço mostra um interesse internacional maior e uma presença mais diversa de empresas da Argentina, Austrália, Brasil, Camboja, Canadá, Chile, China, Croácia, Equador, Alemanha, Grã-Bretanha, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, Laos, Lituânia, Malásia, México, Países Baixos, Panamá, Peru, Polônia, Romênia, Singapura, Espanha, Suíça, Taiwan, Turquia e Estados Unidos.
Aftermarket Automotivo – Em comparação com a edição de 2024, quais foram as principais mudanças em escala, perfil do público e diversidade de expositores? Fabián Natalini – Em relação a 2024, registramos crescimento de 46% na área de exposição e de 49% no número de expositores. Isso reflete uma expansão consistente, maior participação empresarial e uma representação mais ampla da cadeia de valor automotiva.
Aftermarket Automotivo – Quais foram os principais interesses dos visitantes em termos de negócios? Houve maior foco no mercado de reposição tradicional, em novas tecnologias ou na busca por novos fornecedores? Fabián Natalini – O foco principal dos visitantes esteve na busca por novos fornecedores, na geração de negócios concretos e na capacitação contínua, apoiada pelas mais de 40 atividades acadêmicas paralelas à exposição. Esse movimento ficou claro na Rodada Internacional de Negócios, organizada em parceria com a PromArgentina, que promoveu 250 reuniões entre empresas expositoras argentinas e compradores de países como Equador, Peru, Chile, Guatemala, Brasil, El Salvador, Alemanha e Colômbia. O objetivo foi criar oportunidades reais de negócios e apoiar a expansão internacional de produtos e serviços argentinos.
Além disso, nas Rodadas Comerciais entre montadoras e fornecedores, organizadas pela AFAC e pela ADEFA, grandes montadoras se reuniram com fabricantes de autopeças para ampliar a integração local e fortalecer a cadeia de valor nacional. Participaram empresas como IVECO, Ford, Renault, Prestige, Stellantis, Scania, Mercedes-Benz Caminhões, Volkswagen, General Motors e Toyota.
Aftermarket Automotivo – Como foi a participação das empresas brasileiras nesta edição? O Brasil manteve sua relevância dentro da feira? Fabián Natalini – O Brasil manteve um papel central. Assim como em edições anteriores, o Sindipeças coordenou a participação das empresas brasileiras e, mais uma vez, o Pavilhão Brasileiro foi um dos destaques, reunindo 68 expositores. Essa presença é fundamental para reforçar o vínculo regional.
Aftermarket Automotivo – Apesar das mudanças recentes na economia argentina, o Brasil segue sendo o principal exportador de autopeças para o país. Como vocês enxergam hoje essa relação dentro da dinâmica da feira e da cadeia automotiva regional? Fabián Natalini – A relação com o Brasil foi fortalecida nesta edição. Durante o Encontro da Indústria Automotiva, consolidamos um acordo de trabalho conjunto entre AFAC, ADEFA, Sindipeças e Anfavea, que aprofunda a integração produtiva e a cooperação regional na cadeia automotiva.
Aftermarket Automotivo – A economia argentina passou por um processo de reestruturação desde 2024. Em comparação com a última edição, foi possível perceber um ambiente mais favorável para a geração de negócios? Esse cenário se refletiu na Automechanika? Fabián Natalini – Mesmo em um contexto desafiador, a feira refletiu um ambiente positivo para negócios, o que se comprova pelos níveis recordes de participação. A Automechanika Buenos Aires voltou a se consolidar como um espaço estratégico para estabelecer contatos, trocar informações e avançar em projetos concretos no setor.
Aftermarket Automotivo – Como foi a participação de empresas asiáticas nesta edição? É possível observar um avanço desses players no mercado argentino e regional? Fabián Natalini – Tivemos um Pavilhão Chinês com 68 expositores, além da presença de empresas do Japão, Índia, Camboja, Hong Kong, Malásia, Singapura e Taiwan. Isso confirma o interesse crescente desses players no mercado argentino e na região como um todo.
Aftermarket Automotivo – Quais foram os principais temas e tendências que se destacaram ao longo da feira e que devem impactar o aftermarket na região nos próximos anos? Fabián Natalini – Realizamos mais de 40 atividades, entre conferências de expositores e ações de capacitação, abordando tendências que já estão transformando o aftermarket: digitalização, comércio eletrônico, novos hábitos de consumo e aplicação de inteligência artificial na indústria de autopeças, entre outros temas. Essas pautas devem orientar boa parte das decisões estratégicas do setor nos próximos anos na América Latina.

















