Combustíveis e alimentos impulsionam aumento do custo de vida na RMSP

Combustíveis e Alimentos Elevam o Custo de Vida na Grande São Paulo: Entenda o Aumento

Impactado pela disparada nos preços dos combustíveis e dos alimentos, em grande parte ligada à Guerra no Irã e ao consequente avanço da cotação do petróleo, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) subiu 0,72% em março. O índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), calculado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), acumula alta de 4,92% em 12 meses e de 2,09% no primeiro trimestre do ano. Em relação ao mesmo período de 2025, a elevação é de 1,88%.

Segundo a FecomercioSP, o cenário se agravou com a intensificação das pressões inflacionárias associadas ao conflito no Oriente Médio, que já afetam de forma direta e indireta o orçamento das famílias da RMSP. Mesmo com o cessar-fogo, a normalização tende a ser lenta. A preocupação é maior porque os grupos alimentação e transportes respondem por quase 45% do orçamento médio das famílias, comprometendo o equilíbrio financeiro doméstico e elevando o risco de inadimplência.

Renda mais baixa sente o maior impacto

O avanço do custo de vida está diretamente ligado à alta mais intensa nos combustíveis e nos alimentos, o que pesa mais nas faixas de menor renda. Em março, o aumento foi de 0,93% para a classe D e de 0,86% para a classe E, contra 0,61% na classe A.

No acumulado de 12 meses, as classes de menor poder aquisitivo também são as mais pressionadas: 5,34% para a classe E e 5,22% para a D. Nas classes B e A, as altas foram de 4,57% e 4,78%, respectivamente. Isso ocorre porque, nas rendas mais baixas, o orçamento é mais concentrado em itens essenciais, como alimentação e transporte, que lideram as correções de preço.

Transporte puxa alta, com diesel subindo 14,4%

O grupo transportes foi um dos que mais contribuíram para a alta do custo de vida, com avanço de 1,47% em março. O óleo diesel disparou 14,4%, enquanto a gasolina subiu 4,4% e o etanol, 1,3%. Nos serviços, as passagens aéreas registraram aumento de 7,8%.

Por faixa de renda, a pressão do transporte foi significativamente maior nas bases da pirâmide: alta média de 2,77% para a classe D e de 2,5% para a classe E, bem acima das variações observadas nas rendas mais altas (0,83% para a classe B e 0,87% para a classe A).

No grupo alimentação e bebidas, a alta mensal foi de 0,83%. Por faixa de renda, a variação chegou a 1% na classe E e superou o 0,79% registrado na classe A. Esse comportamento reflete, principalmente, o aumento mais forte dos preços da alimentação no domicílio (0,89%), em comparação com a alimentação fora de casa (0,73%) — componente que tem peso maior no orçamento das famílias de menor renda.

Entre os itens que mais encareceram em março estão o feijão-carioca (15,6%), o tomate (12,2%) e diversos cortes de carne bovina, como acém (5%), alcatra (2,9%) e costela (2,3%).

Eletroeletrônicos e materiais de construção também sobem

Nos artigos do lar, a alta foi de 1,13%, puxada por itens eletroeletrônicos: o microcomputador ficou 3,3% mais caro, e os televisores, 2%.

No grupo habitação, o aumento foi influenciado por produtos ligados a obras e reformas, como revestimentos de piso e parede (2,4%), além de cimento e tijolo, que também subiram 2,4%. Esses itens tendem a ter maior peso no orçamento das famílias de renda mais alta, que investem mais em melhorias e ampliações dos imóveis.

Saúde, higiene e medicamentos mantêm pressão

Em saúde e cuidados pessoais, houve aumento tanto em produtos de higiene e beleza quanto em medicamentos, com destaque para hormônios (2,7%) e antibióticos (2,6%). Planos de saúde registraram alta média de 0,5%, e os serviços odontológicos, de 0,2%. Para os próximos meses, a tendência é de manutenção da pressão nesse grupo, por conta do período de reajuste dos medicamentos.

A análise da FecomercioSP aponta que a recente elevação na cotação da arroba bovina, fatores sazonais que reduzem a oferta de determinados alimentos e o encarecimento dos custos logísticos — pressionados pela alta do diesel — já começam a ser repassados aos preços. Esse movimento tende a manter a pressão sobre o grupo de alimentação no domicílio nos próximos meses, especialmente para as famílias de menor renda.