Inflação, juros elevados e incertezas reduzem expectativas e confiança do consumidor cai 3,8% em São Paulo

Inflação e Juros Altos Derrubam Confiança do Consumidor em São Paulo, que Cai 3,8%

O consumidor paulistano continua mais confiante do que há um ano, mas já começa a rever as expectativas. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 3,8% em abril, para 121,1 pontos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A queda foi puxada, principalmente, pelo Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que caiu 5% em relação a março. Na comparação com abril do ano passado, porém, o ICC ainda mostra alta de 9,1%.

Apesar do nível mais elevado em relação a 2024, o ambiente de juros altos, inflação persistente e maior incerteza externa – como as tensões no Oriente Médio – tem levado os paulistanos a uma postura mais cautelosa. O consumo no presente segue relativamente firme, mas as dúvidas sobre o futuro começam a pesar nas decisões de compra.

O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), outro componente do ICC, recuou 1,9% frente a março e ficou em 119,1 pontos. O indicador permanece acima da faixa que separa pessimismo de otimismo, o que sugere sustentação do consumo no curto prazo. Ainda assim, já é possível notar mudanças no comportamento das famílias.

Na avaliação da FecomercioSP, esse movimento é típico de momentos de inflexão do ciclo econômico: o consumo não cai de imediato, mas passa a ser mais planejado, sensível a preço e seletivo. Ou seja, o ciclo ainda não se inverteu, mas perdeu intensidade. Para o varejo, isso significa necessidade de maior disciplina na formação de preços, foco em percepção de valor, concessão de crédito mais conservadora, gestão de estoques mais enxuta e segmentação mais precisa do público.

Em abril, quase todos os grupos que compõem o ICC apresentaram queda. Entre consumidores com renda acima de dez salários mínimos e entre os jovens de até 35 anos, o recuo foi de 6,3%. Entre as mulheres, a baixa chegou a 6,2%. Apenas o grupo com 35 anos ou mais registrou leve alta, de 0,5%.

Mesmo com a retração no mês, o ICEA ainda mostra crescimento de 14,6% na comparação com abril de 2025, refletindo um mercado de trabalho resiliente e renda relativamente estável. Já o IEC, hoje em 122,4 pontos, acumula alta de 5,8% em 12 meses. Em abril, porém, a piora foi mais acentuada entre consumidores de maior renda (-8,1%) e jovens (-8,4%), segmentos mais sensíveis às condições financeiras e que costumam antecipar mudanças de ciclo.

Segundo a FecomercioSP, o conjunto de desafios macroeconômicos – juros elevados por período prolongado, encarecendo o crédito e pressionando o endividamento; inflação resistente, sobretudo em Serviços; maior rigor na concessão de crédito, restringindo compras financiadas; e incertezas geopolíticas, que aumentam a volatilidade global e pressionam custos de energia e logística – vem estimulando uma postura mais conservadora em relação a consumo e renda futura.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) acompanhou esse movimento e também caiu em abril. O índice recuou 0,8%, para 113,4 pontos, marcando a segunda queda consecutiva. No comparativo anual, porém, ainda há alta de 8,5%. Em termos práticos, a disposição das famílias paulistanas para consumir não entrou em retração, mas perdeu fôlego.

De acordo com a FecomercioSP, a melhora em relação ao ano passado reflete um cenário ainda apoiado em emprego e renda, enquanto a queda mensal sinaliza mais prudência. A expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por um consumo mais planejado, seletivo e sensível a preço, crédito e promoções – o que exigirá maior eficiência operacional e comercial do varejo.

Entre os componentes do ICF, apenas o item emprego atual permaneceu estável. Ganharam destaque as quedas no nível de consumo atual (1,9%, para 88,7 pontos), no momento para compra de bens duráveis (1,6%, para 85,9 pontos) e na perspectiva de consumo (1,1%, para 106,1 pontos). Nível de consumo atual e momento para duráveis permanecem na zona de pessimismo, indicando que a compra de itens de maior valor, em geral dependentes de crédito, ainda não se normalizou.

Na comparação com abril de 2025, contudo, todos os componentes do ICF avançaram, com destaque para momento para duráveis (22,6%), acesso ao crédito (17,3%) e perspectiva de consumo (11,5%).

Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o ICF ficou em 111,7 pontos, com leve queda de 0,6% no mês e alta de 10% em 12 meses. Nesse grupo, todos os componentes cresceram na base anual, especialmente momento para duráveis (27,9%), acesso ao crédito (20,5%), perspectiva de consumo (16%) e nível atual de consumo (11%).

Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o ICF atingiu 118,3 pontos, com queda de 1,2% em abril e alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.