A K.LUME Consultoria divulgou uma nova análise macroeconômica do país, elaborada pelo economista e parceiro estratégico da empresa, Dr. Cláudio Ribeiro de Lucinda. O foco é claro: entender como o cenário da Economia brasileira deve impactar o mercado automotivo nos próximos anos.
Lucinda trabalha com dois horizontes de tempo: curto prazo e médio/longo prazo. No curto prazo, o Brasil deverá entrar em 2026 sob o peso da política monetária mais restritiva dos últimos 20 anos. A taxa Selic tende a permanecer em torno de 14,5% ao ano – o nível mais alto desde 2006 – enquanto a inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano ainda acima do teto da meta, perto de 4,9%.
Esse quadro se combina a um mercado de trabalho bastante aquecido, com taxa de desemprego próxima de 5,7%, e a uma demanda interna ainda resiliente. Esse conjunto dificulta a convergência da inflação para o centro da meta de 3% e sustenta a postura cautelosa do Copom. Como consequência, a expectativa é de desaceleração da atividade econômica: o crescimento do PIB deve recuar de 2,26% em 2025 para 1,85% em 2026, em linha com projeções do Boletim Focus e de instituições como Ipea e Itaú.
No câmbio, a tendência é de dólar girando em torno de R$ 5,25, refletindo um prêmio de risco persistente em um ambiente internacional ainda muito condicionado às decisões de política monetária e comercial dos Estados Unidos.
No horizonte mais longo, o ponto central de preocupação é a questão fiscal. A relação dívida bruta/PIB, estimada em 65,97% para 2025, deve avançar para 78,82% em 2029, em sintonia com projeções do Ipea e com os alertas do TCU sobre o grau de realismo das metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal.
O problema estrutural é conhecido: resultados primários ainda deficitários – embora em trajetória de melhora, de –0,5% para –0,1% do PIB – combinados a juros reais elevados. Isso produz um diferencial desfavorável entre juros e crescimento, que impulsiona o aumento do endividamento público.
Por outro lado, o cenário prospectivo aponta para um ciclo de queda da Selic até algo próximo de 9,75% em 2029, acompanhado da convergência do IPCA para cerca de 3,5% ao final do período. Esse movimento tende a aliviar o custo da dívida e melhorar as condições gerais de financiamento da economia. Porém, a consolidação desse quadro mais benigno depende da manutenção da credibilidade do regime fiscal e de uma coordenação efetiva entre as políticas fiscal e monetária – em um ambiente politicamente sensível devido à proximidade das eleições presidenciais.
Do ponto de vista do setor automotivo, o quadro é ambíguo. “Normalmente, um cenário de queda de juros favoreceria o aumento das vendas, mas a redução do PIB acontecendo de forma muito lenta, somada à alta do dólar e à instabilidade da inflação, acaba pressionando as vendas para baixo”, avalia Máia. A expectativa é de um segundo semestre particularmente desafiador para o mercado de veículos no Brasil – e de um primeiro ano difícil para o próximo presidente.
O ambiente eleitoral adiciona mais uma camada de incerteza. “Se as pesquisas para presidente confirmarem os prognósticos atuais, teremos um candidato mais alinhado aos interesses da indústria automobilística e outro mais resistente, com efeitos diretos sobre os volumes de produção e vendas no futuro. De qualquer forma, qualquer que seja o eleito, enfrentará um 2027 complicado do ponto de vista econômico”, projeta Milad.

















