As vendas do comércio varejista paulista somaram R$ 127,7 bilhões em março, uma queda de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP).
No acumulado do primeiro trimestre, o faturamento real recuou 4,5%, o que representa R$ 16,8 bilhões a menos. Ainda assim, no horizonte dos últimos 12 meses, o resultado permanece levemente positivo, com alta de 0,9%.
De acordo com a FecomercioSP, o desempenho reflete, principalmente, o alto nível de endividamento das famílias e a restrição ao crédito, em um cenário de juros elevados. Esse ambiente pesa sobretudo sobre os segmentos de bens duráveis, que dependem mais de financiamento, e que foram justamente os que registraram as maiores quedas. A entidade ressalta, porém, que o varejo paulista vinha de uma base de comparação forte, o que já apontava para um movimento de desaceleração ao longo de 2025.
Mesmo com o quadro desafiador, o faturamento de março, de R$ 127,7 bilhões, foi o segundo maior da série histórica para o mês. O dado indica que fatores como aumento da renda e taxa de desemprego ainda relativamente baixa continuam sustentando o consumo em São Paulo.
Entre as nove atividades analisadas pela pesquisa, quatro apresentaram crescimento real no faturamento: concessionárias de veículos (16,3%), lojas de vestuário, tecidos e calçados (2,5%), lojas de móveis e decoração (2,3%) e farmácias e perfumarias (0,9%).
Do outro lado, as retrações se concentraram em eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (-22%); materiais de construção (-8,2%); outras atividades (-5,2%); supermercados (-5%); e autopeças e acessórios (-2,4%).
Em edições anteriores, a FecomercioSP já vinha sinalizando um cenário de perda de ritmo nas vendas, diante de juros altos, inflação em patamar desconfortável, maior comprometimento de renda das famílias e uma base de comparação historicamente elevada, já que o varejo paulista registrou o maior faturamento de sua história em 2025.
Para os próximos meses, a combinação de aumento da renda, mercado de trabalho resiliente e o calendário de datas comemorativas pode oferecer algum alívio e gerar um impulso adicional às vendas, ainda que em um ambiente de cautela.
















