Vendas do comércio varejista em São Paulo caíram 4,5% no primeiro trimestre

Vendas do comércio varejista em São Paulo caem 4,5% no primeiro trimestre: entenda as causas e impactos

Famílias endividadas pressionam consumo e derrubam vendas do varejo em SP

As vendas do comércio varejista paulista somaram R$ 127,7 bilhões em março, queda de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados fazem parte da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).

No acumulado do primeiro trimestre, o faturamento real recuou 4,5%, o equivalente a R$ 16,8 bilhões a menos em comparação com igual período do ano anterior. Ainda assim, no acumulado dos últimos 12 meses o indicador permanece no campo positivo, com alta de 0,9%.

Segundo a FecomercioSP, o desempenho reflete principalmente o alto nível de endividamento das famílias e a restrição ao crédito, resultado dos juros ainda elevados. Esse ambiente afeta com mais força os segmentos de bens duráveis, que dependem mais de financiamento, e ajuda a explicar as maiores retrações. Ao mesmo tempo, a entidade destaca que o varejo paulista vem de uma base de comparação bastante robusta, o que torna essa desaceleração, em boa medida, esperada.

Mesmo em queda, março registra 2º maior faturamento da série

Apesar do recuo de 2,7%, o faturamento de R$ 127,7 bilhões em março foi o segundo maior já registrado para o mês na série histórica. O resultado indica que fatores como aumento da renda e taxa de desemprego relativamente baixa ainda sustentam um nível relevante de consumo no Estado.

Entre as nove atividades pesquisadas, quatro apresentaram crescimento real de faturamento:

– Concessionárias de veículos: +16,3% – Lojas de vestuário, tecidos e calçados: +2,5% – Lojas de móveis e decoração: +2,3% – Farmácias e perfumarias: +0,9%

Cinco segmentos, porém, registraram retração:

– Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos: -22% – Materiais de construção: -8,2% – Outras atividades: -5,2% – Supermercados: -5% – Autopeças e acessórios: -2,4%

Cenário desafiador, mas com perspectivas pontuais de fôlego

Em edições anteriores da pesquisa, a FecomercioSP já vinha chamando atenção para um cenário de desaceleração, diante de juros altos, inflação em nível ainda desconfortável e forte endividamento das famílias, além da base de comparação elevada após o maior faturamento da história do setor em 2025.

A entidade avalia que o calendário de datas comemorativas, somado à melhora gradual da renda e à resiliência do mercado de trabalho, pode oferecer algum fôlego adicional às vendas nos próximos meses, ainda que o ambiente continue desafiador para o varejo paulista.