Com o aumento da frota em quase 700 mil veículos híbridos e elétricos circulando no País, decisão impactará toda a cadeira automotiva, que precisa empregar profissionais para lidar com os desafios e atuais demandas tecnológicas
A menos de três meses da inauguração do complexo educacional em Campinas, que ampliou a capacidade de ensino técnico na região, a holding Escola do Mecânico, fundada pela empresária Sandra Nalli, anuncia fusão com a NEO Automotive, centro especializado no diagnóstico de veículos híbridos e elétricos.
A parceria resultará na criação e implementação de uma escola modelo em tecnologia e inovação automotiva avançada para, desta forma, elevar o nível de conhecimento técnico no País. Ao lado dela na operação estará o engenheiro automotivo Nelson Fernando, fundador da NEO Automotive, respeitado no mercado pelos seus pares.
A visão do especialista converge na mesma direção do propósito da escola: a transformação do ensino automotivo por meio da educação e liderança de mercado. A gestão será colaborativa e unirá a expertise educacional e escala nacional da Escola do Mecânico com a profundidade técnica e tecnológica da NEO. O cenário confirma o crescimento na demanda e busca por profissionalização técnica avançada.
Desde que foi fundada em 2011, a Escola do Mecânico já formou mais de 120 mil alunos. Hoje, com 47 unidades em operação em todo o país, entre rede própria e franquia, já está em 12 Estados brasileiros. Considerando franquia/todas as unidades de negócio, a estimativa é faturar R$ 80 milhões este ano, 20% a mais comparado a 2025.
“Nos próximos dois anos seremos a principal referência em formação técnica do setor de reparação da América Latina, especialmente nas áreas de tecnologia embarcada, eletrificação, diagnósticos avançados e capacitação de instrutores”, diz Sandra, executiva que atua há mais de 30 anos no segmento.
Relatório anual do Sindipeças mostra que, os veículos elétricos e híbridos podem representar até 50% da frota brasileira em circulação entre 2036 e 2040. Isso porque os carros elétricos funcionam 100% a bateria e não tem motor a combustão, já o modelo híbrido combina motor elétrico e combustível. Um motor comum aproveita 30% da energia, o elétrico pode gerar a 90% de eficiência.
A holding Escola do Mecânico tem parceria com grandes players do mercado como Scania, Toyota, Mobil, Tirreno, Norton do grupo Saint-Gobain, MTE-Thompson e outros.
O núcleo nasce em Sorocaba, no interior de São Paulo
É nesta região que o número de veículos elétricos e híbridos cresceu mais de 75% nos últimos dois anos. Distante 100 km da capital paulista, Sorocaba tem uma frota atualmente de mais de 473 mil veículos, sendo que cinco mil são elétricos e híbridos – modelo que já aparece em quinto lugar na preferência dos consumidores. “Cresce o número por mão de obra e manutenção especializada. As empresas que trabalham com este tipo de carro precisam ter técnicos habilitados e autorizados a atuarem com veículos de alta tensão. Temos um volume grande de manutenção, mas temos poucos técnicos no mercado”, explica Nelson.
Com a chegada da NEO, a operação passa a atuar para suprimir um dos principais desafios do segmento: a falta de mão de obra qualificada em novas tecnologias avançadas de diagnóstico automotivo. E não é para menos. Nos próximos cinco anos, segundo estatísticas do próprio setor, se nada for feito, o mercado enfrentará uma deficiência de 20 a 50 mil profissionais capacitados.
Segundo Sandra, a ideia é unir forças para tornar esse mercado ainda mais forte e preparado para enfrentar as atuais demandas e tendências do setor. “O mercado automotivo vive uma transformação muito acelerada, especialmente com a evolução dos veículos híbridos, elétricos, sistemas ADAS e eletrônica embarcada. Mais do que acompanhar tendências, queremos liderar essa transformação,” afirma a empresária.
Atualmente, 30% dos jovens formados pela escola já foram encaminhados ao mercado de trabalho, algo em torno de 40 mil alunos. Isso graças aos apps Emprega Mecânico e o Emprega + oferecido gratuitamente, e que conecta candidatos em busca de emprego na área e a indústria que precisa contratar. Em 2024, foram capacitados 15.314 alunos, e em 2025, bateu a marca de 19.245, crescimento que reforça o compromisso com a formação técnica, ética e com a responsabilidade social do setor.















