Nova tarifa de 25% atinge o comércio exterior paulista e reforça a necessidade de ampliar a inserção internacional do Brasil

Nova tarifa de 25% impacta o comércio exterior paulista e evidencia a urgência de ampliar a inserção internacional do Brasil

Medida amplia obstáculos às empresas exportadoras e reforça urgência de diversificar mercados

Christiane Benassi 22 de julho de 2026 – Leitura de 3 minutos

A partir desta quarta-feira (22), produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passam a enfrentar uma tarifa adicional de 25%. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), essa sobretaxa se soma a tributos já incidentes sobre as exportações brasileiras, elevando de forma relevante o custo de acesso ao mercado norte-americano. A mudança exige atenção redobrada de empresas que exportam ou dependem de insumos vindos dos EUA.

A FecomercioSP orienta sobretudo micro, pequenas e médias empresas a revisarem a classificação tarifária de seus produtos. É essencial checar qual código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) corresponde à classificação no sistema americano Harmonized Tariff Schedule (HTS). Essa identificação define se o item estará sujeito à taxa adicional de 25% ou se se enquadra em alguma das exceções previstas pelo governo dos EUA.

A entidade recomenda ainda revisar contratos em vigor, verificando se existem cláusulas que permitam repassar ao comprador americano o custo extra da tarifa, e manter interlocução próxima com o despachante aduaneiro e com o Conselho de Relações Internacionais da FecomercioSP para acompanhar mudanças na lista de exceções. As negociações permanecem abertas e, em resposta a pressões do setor privado, os EUA já ampliaram a lista de exceções uma vez.

Setores mais afetados

A nova cobrança impacta praticamente todos os segmentos, mas tende a ser mais pesada para a indústria de transformação, o setor têxtil-calçadista e fabricantes de máquinas e equipamentos — com reflexos diretos sobre o comércio exterior paulista.

Entre os produtos sujeitos à tarifa de 25% estão aço, açúcar, etanol, itens têxteis, calçados, papel, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem, maquinário elétrico, bens de capital em geral e uma ampla gama de produtos químicos. Nesse grupo entra também a celulose solúvel de alta pureza, usada como insumo químico industrial, que ficou fora da isenção concedida à celulose comum.

Apesar da abrangência da medida, alguns itens estratégicos foram preservados, especialmente no agronegócio e no segmento aeroespacial. No caso de proteínas animais, estão fora da sobretaxa carne bovina fresca, refrigerada e congelada (carcaças, meias-carcaças e cortes com e sem osso), carnes processadas como corned beef, miúdos bovinos, tilápia (exceto determinados tipos de filé), além de atum, cavala, espadarte, lagosta, lagostins-do-mar e mel orgânico certificado.

Também ficaram isentos cafés em grão e solúvel puro, suco de laranja, medicamentos, vacinas, insulina, antibióticos, vitaminas e insumos farmacêuticos ativos, fertilizantes, peças e componentes para aviação civil, ferro-gusa, metais preciosos, hidróxido de alumínio, sucatas de ferro e aço, couros e alguns produtos de madeira. No conjunto, esses itens correspondem a cerca de um terço de tudo o que o Brasil exportou para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026.

Como funciona a nova taxação

Mercadorias que já estavam ou estiverem em trânsito para os EUA até 22 de julho não serão alcançadas pela nova tarifa, desde que sejam registradas para consumo até 29 de julho de 2026. Ainda assim, Washington já deixou claro que a lista poderá ser revista caso identifique, por parte do Brasil, práticas comerciais consideradas problemáticas.

Paralelamente, os Estados Unidos conduzem uma investigação sobre trabalho forçado em cadeias produtivas envolvendo 90 países, entre eles o Brasil. Se forem constatadas falhas na proibição e fiscalização dessas práticas, a expectativa é de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% aos países envolvidos. Essa taxa poderá ser somada à alíquota de 25%, levando a tributação total a até 37,5% em alguns casos.

Pressão por mais abertura comercial

O governo brasileiro classificou as medidas como injustas e acionou a chamada Lei da Reciprocidade, além de formalizar uma reclamação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Na prática, porém, essas iniciativas não alteram o quadro atual no curto prazo.

Para a FecomercioSP, mais do que responder com retaliações, o Brasil precisa diminuir a dependência de poucos mercados consumidores e adotar uma estratégia consistente de maior integração ao comércio mundial. Hoje, mais de 40% das exportações brasileiras têm como destino China e Estados Unidos, o que aumenta a vulnerabilidade do País diante decisões unilaterais, como a anunciada pelo governo Trump.

Na avaliação do Conselho de Relações Internacionais da entidade, os caminhos mais promissores para o Brasil passam por ampliar acordos de livre-comércio, reduzir barreiras tarifárias e desburocratizar o ambiente de negócios. Apesar de ser a nona maior economia do planeta, o País participa de apenas 2% do fluxo global de comércio.