Confiança diminui em julho

Queda da Confiança em Julho: Entenda as Causas e Impactos na Economia

O Índice Nacional de Confiança (INC), calculado pela PiniOn a pedido da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), fechou julho em 96 pontos. O resultado representa queda de 1% em relação a junho e mostra estabilidade na comparação com o mesmo mês de 2023.

Com isso, o indicador segue no campo pessimista, abaixo da linha dos 100 pontos. A pesquisa ouviu 1.679 famílias em capitais e cidades do interior de todas as regiões do país.

Segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, os juros ainda elevados e o alto nível de endividamento das famílias continuam pesando mais do que os fatores positivos, como a resiliência do mercado de trabalho – que segue gerando emprego e renda – e as transferências de renda do governo. “Esse ambiente explica a deterioração da confiança observada em julho”, avalia.

O recorte regional mostra um quadro desigual. O Sul foi a única região a registrar avanço na confiança do consumidor. O Centro-Oeste manteve estabilidade, enquanto Norte, Nordeste e Sudeste apresentaram queda no indicador.

Na análise por classe socioeconômica, houve redução da confiança entre as famílias da classe C, enquanto as classes AB e DE permaneceram estáveis. Do ponto de vista de gênero, a confiança aumentou entre os homens e recuou entre as mulheres.

O levantamento também aponta piora na avaliação das famílias sobre sua situação financeira atual. As expectativas em relação à renda e ao emprego caíram, ainda que de forma mais moderada, acompanhadas de uma redução na sensação de segurança no trabalho.

Esse cenário se refletiu diretamente no consumo. Diminuiu a disposição das famílias para comprar bens duráveis, como geladeiras e fogões, e para realizar investimentos de longo prazo. Em contraste, a intenção de compra de bens de maior valor, como automóveis e imóveis, se manteve estável em relação à pesquisa anterior.

“O resultado de julho reforça que, apesar da resistência do mercado de trabalho, o elevado custo do crédito e o forte comprometimento da renda das famílias continuam limitando a recuperação da confiança do consumidor brasileiro e mantendo o indicador abaixo da linha que separa otimismo e pessimismo”, conclui Ruiz de Gamboa.