Dólar mais forte frente ao real, juros elevados em diversas economias, combustíveis pressionados por mais tempo, tarifas de importação em alta e, somando-se a tudo isso, um cenário geopolítico marcado por conflitos. Este é o pano de fundo da economia global hoje – e, ao que tudo indica, também do médio prazo.
Levantamento do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP), da FecomercioSP, mostra que parceiros relevantes para o Brasil elevaram as tarifas de importação de 2025 para cá. Nos Estados Unidos, a alta foi de 7,5 pontos porcentuais, com a tarifa média passando de 2,5% para 10%.
Na China, o movimento foi ainda mais intenso: avanço de 14,3 pontos porcentuais, de 20,7% para 35%.
Os dados constam na nova edição da Carta de Conjuntura do CSESP, divulgada nesta quarta-feira (30).
As incertezas globais já se refletem nas projeções de crescimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia mundial avance 3% em 2026, levemente abaixo dos 3,1% projetados em abril.
No Brasil, a Carta de Conjuntura mostra um quadro misto: o varejo segue crescendo acima da média, enquanto a indústria encolhe mês a mês, embora ainda haja expectativa de alta entre 1,5% e 2% no acumulado de 2026.
A inflação continua no radar. A proximidade de um novo episódio de El Niño deve pressionar o custo dos alimentos nos próximos meses. O impacto mais forte sobre o IPCA, porém, tende a aparecer apenas no início de 2027.
O documento também traz uma análise específica sobre a indústria automobilística brasileira, além de um diagnóstico pouco otimista sobre o desempenho da economia chinesa no horizonte próximo.

















