Segurança energética precisa ocupar papel central na transição energética brasileira

Segurança energética precisa ocupar papel central na transição energética brasileira


Em novo episódio do podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, Alessandro Gardemann defende que o avanço do biometano amplia a competitividade da indústria, reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalece a soberania energética do país

A transição energética brasileira precisa deixar de ser discutida exclusivamente sob a ótica da descarbonização e incorporar, de forma definitiva, a segurança energética como prioridade estratégica. Essa é uma das principais reflexões apresentadas por Alessandro Gardemann, Fundador da Geo Biogás & Carbon e presidente do conselho da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), durante entrevista ao podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, iniciativa do Instituto MBCBrasil.

“O debate sobre transição energética costuma estar concentrado na redução das emissões de carbono, mas entendemos que segurança energética, competitividade e desenvolvimento industrial precisam fazer parte dessa conversa. Foi justamente essa reflexão que buscamos aprofundar no episódio com Alessandro Gardemann”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho do Instituto MBCBrasil e um dos apresentadores do podcast.

O executivo da Geo Biogás & Carbon defende que o biometano representa uma oportunidade que vai além da agenda ambiental. Segundo ele, trata-se de uma solução capaz de fortalecer a segurança energética brasileira, reduzir a vulnerabilidade provocada pela importação de combustíveis fósseis e ampliar a competitividade da economia nacional. “O grande diferencial do biometano é que ele não resolve apenas uma questão ambiental. Ele fortalece a segurança energética do país”, afirma.

Para ele, o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo nesse mercado graças à combinação entre disponibilidade de biomassa, vocação agroindustrial e uma matriz energética majoritariamente renovável. O especialista complementa que, essa convergência cria uma oportunidade rara de desenvolver uma nova cadeia produtiva capaz de gerar empregos, agregar valor aos resíduos e reduzir a dependência externa de combustíveis.

Gardemann chama atenção ainda para um dos principais desafios da matriz energética brasileira: a elevada dependência da importação de diesel. Enquanto o país possui elevada capacidade para substituir parte da gasolina por combustíveis renováveis, o transporte pesado continua fortemente dependente do diesel fóssil, cenário que, segundo ele, torna a expansão do biometano uma questão estratégica para a economia nacional.

Outro ponto abordado durante a conversa é o avanço da produção nacional de biometano. Segundo o presidente do conselho da ABiogás, o setor vive um momento de expansão consistente, impulsionado pela utilização de resíduos provenientes do agronegócio, do saneamento e dos aterros sanitários, criando novas possibilidades para a produção de energia renovável em larga escala.

O episódio também discute o papel do Brasil no mercado internacional de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF). Na visão do especialista, a crescente demanda global por soluções de baixo carbono, aliada à disponibilidade brasileira de biomassa, coloca o país em posição privilegiada para atender mercados internacionais que não possuem capacidade suficiente de produção.

Além dos aspectos tecnológicos e industriais, Alessandro Gardemann defende que a transição energética brasileira deve ser construída sob o princípio da neutralidade tecnológica, permitindo que diferentes rotas de descarbonização coexistam de forma complementar, respeitando as características econômicas e produtivas do país. “O papel do podcast é trazer para o debate temas que estão influenciando as decisões de empresas, governos e da sociedade. Mais do que apresentar soluções, queremos contribuir para uma discussão qualificada sobre os desafios e as oportunidades que estão moldando o futuro da mobilidade e da energia no Brasil”, encerra José Eduardo Luzzi.