A Scania anunciou o lançamento da sua gama Super Ônibus no mercado brasileiro, trazendo a plataforma de trem de força descrita pela fabricante como a mais eficiente de sua história no segmento. A novidade chega ao país menos de um ano após a sua estreia na Europa e promete uma redução no consumo de combustível de 8% em relação à atual geração P8/Euro 6. A apresentação oficial e o início das vendas da nova linha ocorrem durante a Lat.Bus 2026 (Feira Latino-Americana do Transporte), realizada entre os dias 11 e 13 de agosto no São Paulo Expo.
A chegada do portfólio exigiu um aporte de R$ 120 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento de Engenharia, adequação da linha de montagem e desenvolvimento da cadeia de fornecedores. As primeiras unidades já estão sendo produzidas no complexo industrial de São Bernardo do Campo. Segundo Eronildo Barros, presidente e CEO da Scania Operações Comerciais Brasil, a empresa traz a solução mais eficiente da história da marca para manter a liderança na transição sustentável, oferecendo um produto sem similar no mercado em economia e custo operacional. A estratégia ganha suporte com o investimento de R$ 110 milhões na rede de concessionárias entre 2025 e 2026, prevendo a abertura de 26 novos pontos de atendimento até o fim do ano para somar aos 250 existentes.
A antecipação do lançamento reforça o peso do mercado latino-americano para a matriz sueca, já que a região respondeu por 48% das vendas globais de ônibus da marca em 2025, somando 3.172 chassis comercializados de um total global de 6.500 unidades. O México lidera o volume global da montadora, seguido pelo Brasil em segundo lugar, com 760 unidades vendidas, e pela Argentina, com 528 chassis. Emanuel Perini, diretor de Soluções de Mobilidade da Scania Américas, destaca que a região vem avançando na descarbonização e representa 40% de todo o volume mundial de veículos a gás comercializado pela marca nos últimos dez anos.
Desenvolvida exclusivamente para operações rodoviárias a diesel, com potências que variam de 350 a 500 cavalos, a nova linha conta com motores de 11 e 13 litros. Os chassis da atual geração P8/Euro 6 continuarão sendo vendidos ao longo de 2026 e 2027, sendo substituídos gradualmente pela gama Super, enquanto os modelos movidos a gás não receberão motores desta nova família. No portfólio de 11 litros, as opções incluem o K 350 de 350 cavalos na configuração 4×2 para fretamento e curtas distâncias, o K 390 de 390 cavalos nas trações 4×2 e 6×2 para distâncias curtas e médias, e o K 430 de 430 cavalos 6×2 para médias e longas viagens ou turismo. Já a linha de 13 litros conta com o K 460 de 460 cavalos nas versões 6×2 e 8×2, e o topo de linha K 500 de 500 cavalos com tração 8×2, ambos voltados para longas distâncias e turismo.
O novo trem de força engloba motor, transmissão, eixo cardan e diferencial, acompanhado por evoluções técnicas significativas nos motores de 11 e 13 litros, como duplo comando de válvulas no cabeçote, aumento da pressão de pico no cilindro para 250 bar e o sistema Scania Twin SCR com dupla injeção de Arla 32. O conjunto inclui a transmissão Opticruise G 25 de 14 marchas com carcaça de alumínio mais leve e sem anéis sincronizadores, o novo eixo traseiro R 756 com atrito reduzido e maior intervalo de manutenção, além do exclusivo sistema FOU, uma unidade de otimização de combustível que evita a entrada de ar na injeção e maximiza o aproveitamento do tanque.
A bordo, a linha Super entrega painel digital de 12,3 polegadas, acelerador inteligente e o piloto automático preditivo Scania Actcruise, que utiliza GPS para mapear o relevo da via e gerar até 3% adicionais de economia de combustível, além de oferecer o pacote de segurança ADAS 2.0 como opcional. O nome da gama resgata uma tradição histórica iniciada no próprio Brasil em 1970, quando o termo “Super” foi utilizado pela primeira vez para batizar a evolução dos motores da marca, nomenclatura que foi adotada globalmente pela matriz em 2022 para seus caminhões e que agora chega de forma definitiva ao segmento de transporte de passageiros.

















