As vendas de pneus fabricados no Brasil recuaram no primeiro semestre em um cenário de avanço acelerado dos produtos importados. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) apontam queda de 6,8% nas vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga produzidos no país entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período do ano passado.
No total, as fabricantes nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus nos seis primeiros meses de 2026, contra 19,1 milhões um ano antes. No mesmo intervalo, as importações dispararam 81,2%.
“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O avanço das importações ameaça empregos, investimentos e a própria sustentabilidade da indústria instalada no país”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
A retração foi mais forte no mercado de reposição, principal campo de atuação dos importados. Nesse segmento, as vendas da indústria nacional caíram 10,1%. Já o fornecimento para montadoras ficou praticamente estável, com leve queda de 0,3%.
Como resultado, a participação da indústria brasileira no mercado de reposição encolheu para 29%, frente a 71% dos produtos importados. No primeiro semestre de 2021, o cenário era inverso: fabricantes nacionais detinham cerca de 64% desse mercado, enquanto os importados respondiam por 36%.
O avanço dos importados foi ainda mais acentuado no segmento de pneus de carga. Entre janeiro e junho, as compras externas dessa categoria cresceram 157,9%. Hoje, produtos importados já detêm 73% do mercado de reposição de pneus de carga, enquanto a participação dos fabricantes locais recuou para 27%.
“Os pneus importados muitas vezes entram no país com preços artificialmente baixos e, considerando o volume total reportado pelo IBAMA, os importadores não cumprem as exigências ambientais relacionadas ao recolhimento e à destinação de pneus inservíveis”, afirma Navarro. Segundo dados do IBAMA citados pela ANIP, os importadores acumularam mais de 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser recolhidos nos últimos 14 anos.
A ANIP aguarda a análise de diferentes pleitos apresentados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para tentar reequilibrar o mercado.
A entidade menciona medidas adotadas em outros países como referência. No México, a tarifa de importação de pneus foi elevada para 35%, enquanto a União Europeia aplica alíquotas de até 45,3% sobre pneus importados da China.
“O mundo está intensificando barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável. Se não forem tomadas medidas urgentes, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agro, caso da borracha natural produzida aqui”, alerta Navarro.

















