O Brasil se consolidou como o principal destino de veículos produzidos na China entre os países do Sul Global durante o primeiro semestre de 2026. De acordo com estatísticas divulgadas por Cui Dongshu, secretário-geral da Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA), o mercado brasileiro absorveu 410.825 unidades vindas do país asiático no período. O volume coloca o país na segunda posição global geral, sendo superado apenas pela Rússia, que liderou os desembarques entre janeiro e junho ao registrar 448.157 veículos. Na sequência das importações totais aparecem o Reino Unido, com 255.260 automóveis, e a Austrália, com 237.823 unidades.
Os embarques globais das montadoras chinesas mantiveram trajetória de forte expansão na primeira metade do ano, somando 5,31 milhões de veículos exportados no primeiro semestre de 2026 — um avanço de 53% em relação ao mesmo período de 2025. Dados consolidados e atualizados do setor mostram que o ritmo acelerou ainda mais no início do segundo semestre: apenas em julho, as exportações chinesas deram um salto de até 81,3% a 88%, alcançando a marca mensal de mais de 1 milhão de unidades enviadas ao exterior.
Os dados da CPCA revelam que o avanço no Brasil é impulsionado pelo segmento de veículos de energia limpa (elétricos e híbridos). No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 299.803 unidades eletrificadas da China (alta de 158%), tornando-se o maior mercado comprador do mundo para os veículos de nova energia chineses e superando centros tradicionais como a Bélgica. Especialistas e analistas do setor indicam que esse movimento no início do ano foi acentuado pela antecipação de remessas pelas montadoras para formação de estoque antes do aumento de alíquotas de importação no país, além dos reflexos dos investimentos e instalação de linhas de produção locais de marcas chinesas.
O forte desempenho nas vendas externas contrasta com o ambiente desafiador registrado no mercado interno da China, onde a demanda por automóveis recuou pelo décimo mês consecutivo. Em julho, o volume de vendas domésticas chinesas registrou queda de 21% na comparação anual, somando 1,47 milhão de unidades. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o declínio do consumo local na China chegou a 20,5%, com um volume total de 10 milhões de veículos comercializados.
Segundo a avaliação de Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o desaquecimento nas concessionárias locais superou as previsões do setor. O executivo atribui o encolhimento das vendas internas a um conjunto de pressões combinadas, que inclui a fraqueza da atividade macroeconômica no país, o encarecimento e a recuperação nos preços dos combustíveis, a entrada na baixa temporada de compras e o impacto de ajustes recentes em políticas públicas locais.

















