O comércio mineiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um dado relevante para quem busca manter equipes mais estáveis: a rotatividade de trabalhadores caiu ao longo dos últimos meses. O Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG passou a divulgar, de forma inédita no estado, o chamado turnover substitutivo – indicador que mede a intensidade de substituição de mão de obra no mercado formal de um determinado setor.
Entre janeiro e junho, o turnover substitutivo registrou média mensal de 5,21%. No acumulado do semestre, a taxa chegou a 31,79%, sinalizando um ritmo ainda elevado de renovação de equipes, mas com tendência recente de desaceleração.
Os dados mensais ajudam a entender melhor esse movimento. A rotatividade começou o ano em 4,96%, subiu para 5,31% em fevereiro e alcançou 5,77% em março, o maior nível do semestre. A partir de abril, o indicador inverteu a trajetória: recuou para 5,27%, caiu a 5,08% em maio e chegou a 4,88% em junho.
O resultado de junho representa queda de 3,9% em relação a maio e recuo de 15,4% frente ao pico de março. Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os números mostram um período inicial de ajuste seguido de maior estabilidade. “Os dados mostram dois movimentos distintos. No primeiro trimestre, o comércio absorveu os ajustes naturais depois do período de contratações temporárias do fim do ano. A partir de abril, observamos uma redução contínua do turnover, indicando maior estabilidade nas equipes. Isso é relevante para as empresas porque a permanência dos profissionais contribui para preservar conhecimento, experiência e produtividade”, avalia.
O aumento da rotatividade no início do ano está ligado, principalmente, ao encerramento dos contratos temporários firmados para atender às vendas de fim de ano. Janeiro, fevereiro e março também costumam concentrar maior mobilidade ocupacional, com trabalhadores buscando novas oportunidades e empresas ajustando seus quadros às perspectivas de vendas e de atividade econômica.
A queda a partir de abril coincide com um período-chave para o varejo, impulsionado pelas vendas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados. Esse cenário pode ter incentivado empresas a manter profissionais já treinados, evitando novos custos de recrutamento e adaptação. “Quando uma empresa consegue manter uma equipe que já conhece os processos, os produtos e o perfil dos clientes, ela reduz o tempo e os custos envolvidos na reposição de trabalhadores. Em um setor como o comércio, no qual a experiência do profissional tem impacto direto no atendimento, essa estabilidade pode fazer diferença na operação”, explica Fernanda.
Mesmo com a melhora recente, o número acumulado indica que a rotatividade segue como um desafio importante para o comércio de Minas. O turnover substitutivo de 31,79% no semestre revela uma dinâmica intensa de renovação da força de trabalho, com reflexos sobre custos operacionais, produtividade e retenção de talentos.
A interpretação do indicador exige algum cuidado. A metodologia da Fecomércio MG utiliza o menor valor entre admissões e desligamentos como aproximação estatística do volume de substituições, já que os dados do novo Caged não permitem identificar se uma contratação preenche exatamente a vaga de um trabalhador desligado. A taxa se restringe ao mercado formal e deve ser lida como uma medida indireta da substituição de trabalhadores.
Para Fernanda, o dado reforça a necessidade de tratar retenção como estratégia de gestão, e não apenas como consequência do cenário econômico. “A queda do turnover nos últimos meses é uma sinalização favorável, mas não significa que o problema esteja resolvido. A rotatividade ainda exige atenção das empresas. Investir na permanência dos profissionais, na qualidade do ambiente de trabalho, na capacitação e em políticas de valorização do trabalhador pode ajudar a reduzir perdas e melhorar a eficiência das operações”, afirma.
O desempenho do semestre também mostra que olhar apenas para a geração líquida de empregos não basta para compreender o mercado de trabalho. Em junho, Minas Gerais registrou saldo positivo de 20.805 empregos formais, resultado de 239.167 admissões e 218.362 desligamentos. Ou seja, o estoque de trabalhadores cresceu, mas a movimentação interna indica o quanto as empresas estão trocando e renovando suas equipes.
Nesse contexto, o turnover acrescenta uma camada relevante à análise: mais do que mostrar quantas vagas foram criadas, o indicador revela a intensidade da movimentação da mão de obra e o grau de estabilidade dos vínculos. No comércio mineiro, o primeiro semestre termina com uma combinação positiva de geração de empregos e redução gradual da rotatividade, mas com o desafio de transformar esse movimento em uma tendência mais duradoura.

















