O Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP) projeta um crescimento de 2,1% nas vendas do comércio varejista brasileiro em 2026. A estimativa, inédita nesse formato, considera o chamado “varejo restrito” — que engloba segmentos como supermercados, vestuário, móveis e eletrodomésticos, mas deixa de fora veículos e materiais de construção.
De acordo com o estudo, o varejo vem perdendo ritmo nos últimos meses, impactado principalmente pelos juros elevados e pelo alto nível de endividamento das famílias. Esse cenário afeta com mais intensidade os itens normalmente adquiridos a prazo, como eletrodomésticos e móveis.
Apesar disso, o modelo aponta para uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre, com destaque para setembro e outubro. Para o mesmo período, o PIB também deve avançar cerca de 2,1%.
Black Friday muda o peso de dezembro
Um dos pontos centrais do levantamento é a mudança no padrão histórico das vendas de fim de ano. O tradicional salto entre novembro e dezembro, impulsionado pelas compras de Natal, vem encolhendo de forma consistente.
Em 2005, as vendas de dezembro superavam as de novembro em 41%. Em 2025, essa diferença havia caído para 11,7%. Para a Associação Comercial, a disseminação da Black Friday e o avanço do comércio eletrônico anteciparam uma parte relevante das compras para novembro, reduzindo o pico que costumava se concentrar em dezembro.
Na prática, qualquer projeção de vendas de fim de ano que ignore essa mudança estrutural tende a superestimar o desempenho de dezembro.
Metodologia inédita de projeção
Assinado pelo economista Ulisses Ruiz de Gamboa, o estudo combina oito métodos estatísticos distintos, com apoio de ferramentas de inteligência artificial na etapa de programação, em uma composição inédita.
Entre as técnicas utilizadas estão modelos como ARIMA, VAR, VEC, BVAR, SVAR, um modelo estrutural, o Prophet e uma rede neural — tecnologia também presente em outras aplicações de inteligência artificial.
Em vez de adotar um único modelo, o instituto trabalhou com a mediana (o valor central) das oito projeções como resultado principal. Segundo o estudo, essa estratégia combinada apresentou erro menor do que qualquer modelo isolado, inclusive o de melhor desempenho individual, baseado em rede neural. A abordagem foi testada repetidas vezes com dados reais dos últimos quase quatro anos antes de ser consolidada como método preferencial.

















