Após quatro altas consecutivas, confiança do empresário do comércio recua em fevereiro

Confiança do Empresário do Comércio Cai em Fevereiro Após Quatro Altas Consecutivas

Flutuação dos índices mostra empresário mais cauteloso com investimentos

Após o impulso das vendas de fim de ano, que sustentou quatro altas consecutivas, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) da capital paulista recuou 0,6% em fevereiro, passando de 104 pontos em janeiro para 103,3 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2024, o indicador permanece estável.

Em sentido oposto, o Índice de Expansão do Comércio (IEC) do município de São Paulo avançou 4,2% na comparação anual e registrou leve alta de 0,5% frente a janeiro, alcançando 107,6 pontos.

Os dois indicadores são medidos mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A entidade já vinha alertando o setor para um cenário de desaceleração das vendas – e até queda em alguns segmentos – em um ambiente de juros ainda elevados e inadimplência em alta. Por isso, reforça a recomendação para que as empresas redobrem a atenção em relação a novos investimentos e à formação de estoques.

Empresário segue desconfiado do ambiente econômico

O ICEC é formado por três subíndices. O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) foi o único a registrar avanço em fevereiro: alta tímida de 1,1% sobre janeiro. Ainda assim, permanece há 36 meses na zona de pessimismo, em 78 pontos, e 2,7% abaixo do nível observado em fevereiro do ano passado.

Na leitura da FecomercioSP, esse quadro indica que, mesmo após alguns meses de vendas melhores, o empresário paulistano segue insatisfeito com fatores como rentabilidade, pressão de custos, juros elevados e a condução da política econômica.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) recuou 2,1%, de 129,4 pontos em janeiro para 126,7 pontos em fevereiro, com queda de 1,9% na comparação anual. Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) ficou praticamente estável em 105,3 pontos, 5,1% acima do registrado no mesmo período de 2024.

Segundo a FecomercioSP, a oscilação do IIEC em torno da linha dos 100 pontos mostra que o setor está mais cauteloso com novos aportes, em meio às incertezas típicas de um ano eleitoral.

De um lado, o início do ciclo de redução da taxa Selic e a expectativa de boas vendas em datas como o Dia das Mães podem dar algum fôlego à confiança nos próximos meses. De outro, a guerra no Oriente Médio e o risco de pressão adicional sobre a inflação, via aumento do preço do petróleo, permanecem como foco de preocupação.

Investimentos seguem contidos, apesar de maior intenção de contratar

Dentro do IEC, o Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF) foi o principal responsável pela alta do indicador. O subíndice avançou 1,4% em fevereiro, chegando a 120 pontos. Passado o melhor período de vendas do varejo, a disposição para contratar permanece elevada, 7,4% acima do nível de fevereiro de 2025.

Já o Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE), outro subíndice do IEC, recuou 0,7% e ficou em 95,2 pontos, permanecendo na zona de pessimismo pelo 15º mês consecutivo. O resultado reflete a postura conservadora do empresário paulistano em relação a investimentos em máquinas, equipamentos, reformas e abertura de novas unidades, diante de um cenário econômico ainda considerado frágil.