Banco Safra avalia ações do setor automotivo na Bolsa de São Paulo

Banco Safra avalia ações do setor automotivo na Bolsa de São Paulo: oportunidades e perspectivas para investidores

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou os dados de vendas de dezembro, com 279 mil veículos leves e comerciais emplacados, alta de 8,6% na comparação anual e de 17% frente a novembro. Considerando apenas as vendas por dia útil, o avanço foi de 3,6% em relação a dezembro de 2023 e de 1% sobre o mês anterior.

Somando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, o mercado atingiu 492 mil unidades em dezembro, crescimento de 15% ano a ano e de 12,3% na comparação mensal. No acumulado de 2024, os emplacamentos totais subiram 8%, chegando a 5,124 milhões de unidades.

Destaques do mercado de veículos em dezembro

  • Veículos leves: as vendas cresceram 11% na comparação anual e 16% na mensal. Ajustado por dia útil, o desempenho foi de +6% ano a ano e estabilidade na margem. O resultado continua sendo impulsionado pelo programa Carro Sustentável, que já acumula alta de 22% nas vendas da categoria desde o seu início.

  • Veículos comerciais leves: registraram alta de 4,6% em relação a dezembro de 2023 e de 25% frente a novembro. Por dia útil, praticamente estabilidade na base anual (-0,1%) e crescimento de 7,9% mês a mês.

  • Caminhões: o segmento recuou 12% na comparação anual, mas avançou 11% em relação a novembro. Ajustado por dias úteis, a queda foi de 16% ano a ano e de 4% na comparação mensal.

  • Ônibus: as vendas caíram 2% em relação a dezembro de 2023 e 4% na comparação com novembro. Em termos de dia útil, o recuo foi de 6,4% ano a ano e de 17% na margem mensal.

  • Implementos rodoviários: o setor segue pressionado. As vendas encolheram 21% na base anual e 1% frente a novembro. Ajustado por dias úteis, a queda foi de 24,4% ano a ano e de 15% mês a mês, em um cenário de juros elevados que freiam a renovação de frotas.

A retração em implementos também é explicada por uma mudança de foco dos operadores, que vêm priorizando a renovação dos caminhões em detrimento dos reboques e semirreboques.

Avaliação dos resultados do setor

O Banco Safra classificou os dados da Fenabrave como mistos para Iochpe-Maxion (MYPK3; Compra; preço-alvo de R$ 15,00), neutros para Marcopolo (POMO4; Compra; preço-alvo de R$ 10,50) e negativos para Randoncorp (RAPT4; Compra; preço-alvo de R$ 7,80).

No caso da Iochpe-Maxion, o banco destaca a combinação de fraqueza no segmento de caminhões, com queda de 12% nas vendas, e avanço de 9,6% no mercado de veículos leves. Apesar disso, o Safra lembra que as margens da companhia no Brasil tendem a ser mais robustas justamente em veículos comerciais, onde o desempenho foi mais pressionado.

Para a Marcopolo, os números de ônibus em dezembro mostraram retração moderada, de 2% na comparação anual, ou 6,4% quando ajustado por dias úteis. As altas taxas de juros seguem como principal fator de restrição. No acumulado do ano, porém, as vendas de ônibus cresceram 4%, apoiadas por programas públicos de renovação de frota, como o Caminho da Escola.

Já para a Randoncorp, o cenário é mais adverso: dezembro trouxe queda de 12% nas vendas de caminhões e de 21% em implementos na comparação anual. Segundo o Safra, esses resultados refletem o ambiente de crédito restrito e um quadro macroeconômico ainda desafiador, que inibe decisões de investimento e renovação de equipamentos.

Projeções para 2026

A Fenabrave projeta um crescimento de 6,1% nas vendas totais em 2026, sustentado por cinco principais vetores:

  1. Motocicletas: alta esperada de 10% ano a ano, para 2,42 milhões de unidades. O movimento é puxado pela expansão dos serviços de entrega, maior demanda por transporte individual e pelo registro obrigatório de ciclomotores abaixo de 50 cc, com efeito retroativo, o que tende a gerar um pico de emplacamentos no início do ano.

  2. Automóveis e comerciais leves: projeção de crescimento de 3% nas vendas, para 2,63 milhões de unidades. O cenário considera possíveis cortes adicionais na taxa de juros, a efetiva implementação do Marco das Garantias — que tende a facilitar o crédito — e a eventual ampliação do programa Carro Sustentável.

  3. Caminhões: a Fenabrave estima avanço de 3,5% nas vendas, para 114.752 unidades. A demanda deve ser impulsionada pelo programa Move Brasil de renovação de frota, linhas de financiamento subsidiado e pela expectativa de safra forte de grãos, que aumenta a necessidade de transporte.

  4. Implementos rodoviários: depois de um ano difícil, o segmento deve voltar a crescer 2% em 2026, alcançando 72.450 unidades. A melhora dependerá de algum alívio nas condições de crédito e da retomada mais consistente dos investimentos em logística e transporte.

  5. Ônibus: os emplacamentos devem subir 3%, para 29.709 unidades, amparados pela perspectiva de maior renovação das frotas urbanas, em linha com a recuperação gradual da mobilidade urbana e de programas públicos de transporte coletivo.

Em síntese, o mercado encerra o ano com recuperação relevante em volumes, mas ainda com clara assimetria entre segmentos: leves e motos em forte tração, caminhões e implementos sob pressão, e ônibus em retomada gradual, muito dependente de crédito e políticas públicas.