Brasil já ultrapassa 300 mil veículos eletrificados e crescimento pressiona adaptação urbana
O avanço dos carros elétricos no Brasil revelou uma limitação ainda pouco explorada na mobilidade urbana: a falta de infraestrutura de recarga compatível com o ritmo de crescimento da frota. Dados recentes da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que o país já ultrapassou a marca de 300 mil veículos elétricos em circulação, com crescimento acelerado ano a ano. A frota de veículos eletrificados no Brasil já ultrapassa600 mil unidades, com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e indicacrescimento de cerca de60% em 2025,apenas o ano passado, foram mais de220 mil veículos vendidos, recorde histórico
Esse movimento pressiona cidades e operadores a repensarem onde e como esses veículos serão abastecidos no dia a dia. E é nesse ponto que um espaço tradicionalmente subestimado ganha protagonismo: o estacionamento.
A parceria entre aHubees, plataforma de mobilidade que transforma o estacionamento em infraestrutura inteligente da cidade,e a EON, estação de recarga de carros elétricos, busca integrar pontos de recarga elétrica à infraestrutura de estacionamentos já existentes. A proposta é acelerar a expansão da mobilidade elétrica sem depender exclusivamente da criação de novas redes físicas dedicadas.
“Quando a recarga é incorporada ao estacionamento, reduz-se a necessidade de deslocamentos específicos apenas para abastecimento, o que pode diminuir a pressão sobre o trânsito urbano e tornar a mobilidade mais eficiente, interferindo positivamente na mobilidade urbana, destacaRoberto Hissa, CEO da Hubees.
O movimento também reforça uma tendência maior: a transformação dos estacionamentos em hubs de serviços urbanos. Ao combinar energia, tecnologia e dados, esses espaços deixam de ser passivos e passam a atuar como plataformas ativas dentro da dinâmica da cidade.
Além da expansão da infraestrutura pública de recarga, ganha relevância a integração do carregamento aos momentos em que os veículos já permanecem estacionados, como em garagens e estacionamentos. A vaga deixa de ser apenas um espaço de permanência e passa a assumir um papel estratégico no abastecimento energético.
A mudança é sustentada por umdado recorrente em estudos do U.S. Department of Energy, que indicam que os carros permanecem estacionados por mais de 90% do tempo.O dado reforça que o desafio da eletromobilidade não está restrito à ampliação de eletropostos em vias públicas.
Na prática, isso coloca estacionamentos em shoppings, hospitais, centros corporativos e áreas comerciais como peças-chave na expansão da mobilidade elétrica. Cada área urbana estrategicamente ocupada amplia o alcance do sistema, o desenvolvimento segue uma lógica menos visível, porém eficaz.
“O avanço dos carros elétricos não é apenas uma mudança tecnológica, mas estrutural. E a adaptação da infraestrutura urbana será determinante para sustentar esse crescimento”, comentaRoberto Hissa.
Deixando o estacionamento de ser apenas um ponto final da jornada e passa a ocupar uma posição central: a de elo entre mobilidade, energia e planejamento urbano.
















