Os brasileiros começaram o ano mais dispostos a gastar. Em janeiro, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), avançou 0,8% em relação a dezembro, já descontados os efeitos sazonais, e atingiu 103,7 pontos. É o terceiro mês seguido de alta.
Na comparação com janeiro de 2025, o indicador também mostrou crescimento, de 0,7%. De acordo com a CNC, o movimento foi impulsionado principalmente pelo maior acesso ao crédito e pela melhora na percepção sobre o momento de compra de bens duráveis, com destaque para as famílias de menor renda.
“O maior controle da inflação e a ampliação do acesso ao crédito têm preservado o poder de compra das famílias com renda de até 10 salários mínimos”, afirmou em nota o presidente da CNC, José Roberto Tadros. “É um fator que estimula o consumo, mas que precisa ser usado com responsabilidade para evitar aumento do endividamento e novos ciclos de inadimplência, como vimos no meio do ano passado.”
Dos sete componentes da ICF, seis registraram alta na passagem de dezembro para janeiro: – Emprego atual: +0,1%, para 125,9 pontos; – Renda atual: +0,1%, para 123,1 pontos; – Nível de consumo atual: +0,9%, para 90,5 pontos; – Perspectiva de consumo: +0,8%, para 106,2 pontos; – Acesso ao crédito: +1,9%, para 100,1 pontos; – Momento para aquisição de bens duráveis: +3,8%, para 71,4 pontos.
A única retração foi em perspectiva profissional, que caiu 0,7%, para 108,4 pontos.
A melhora na disposição para consumir foi observada em todas as faixas de renda. Entre as famílias com renda mensal abaixo de 10 salários mínimos, o ICF subiu 0,7% frente a dezembro, alcançando 101,7 pontos. No grupo com renda superior a 10 salários mínimos, o índice também avançou 0,7%, para 114,5 pontos.
“O desempenho de janeiro confirma a continuidade do otimismo dos consumidores. O crédito se mostra como motor importante do consumo; porém, os juros ainda em patamar elevado e o desaquecimento do mercado de trabalho impõem certa cautela a esse cenário”, destaca o relatório da CNC.














