Com mais escolaridade e participação no mercado, mulheres ampliam seu peso na economia

Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher também joga luz sobre uma mudança cada vez mais clara na economia brasileira. Mais escolarizadas, com participação crescente no mercado de trabalho e à frente de quase metade dos lares do País, as mulheres assumem papel central nas decisões econômicas — do consumo das famílias ao comando de negócios próprios.

Levantamentos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostram que esse avanço se dá em várias frentes: na qualificação profissional, no emprego formal e no empreendedorismo. Ao mesmo tempo, o comportamento econômico feminino passa a influenciar de forma mais direta os indicadores de confiança e as projeções de consumo.

Entender como as mulheres enxergam a economia tornou-se, portanto, um ponto-chave para interpretar os rumos da conjuntura atual.

Confiança em alta, mas com pé no freio

Em fevereiro de 2026, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da cidade de São Paulo, calculado mensalmente pela FecomercioSP, chegou a 127,4 pontos, alta de 5,7% em relação a fevereiro de 2025. Como o indicador varia de 0 a 200, e valores acima de 100 indicam otimismo, o resultado mantém os consumidores em território positivo.

No recorte por gênero, o movimento é parecido entre as mulheres, porém com mais cautela. O ICC feminino atingiu 123,9 pontos, avanço de 2,3% no período. O patamar segue otimista, mas ainda abaixo da média geral.

O maior otimismo está nas expectativas para os próximos meses. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) geral subiu 7,9%, chegando a 131,7 pontos. Entre as mulheres, o IEC avançou 6,6%, para 129,5 pontos. O desempenho reforça uma melhora na percepção feminina sobre renda, emprego e cenário econômico futuro.

Já na leitura do presente prevalece a prudência. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) geral registrou 121 pontos, alta de 2,3%, enquanto o indicador feminino recuou 4,2%, para 115,5 pontos na comparação anual.

Segundo a FecomercioSP, essa diferença tem raízes estruturais. As mulheres ainda têm rendimento médio menor que o dos homens, concentram mais gastos com despesas essenciais e respondem em grande medida pela administração do orçamento doméstico — fatores que as tornam mais sensíveis à inflação e ao custo do crédito.

Empreendedorismo feminino atinge recorde

A maior presença feminina na economia também se traduz em mais mulheres à frente de empresas. Hoje, mais de 10 milhões de brasileiras comandam seus próprios negócios, um recorde que evidencia a força do empreendedorismo feminino e sua contribuição para geração de renda e empregos, de acordo com dados do Sebrae (2025).

No mercado formal paulista, a participação das mulheres avança de forma consistente. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que:

  • no Comércio, a presença feminina nas admissões passou de 47%, em 2021, para 50% em 2025;
  • nos Serviços, elas já eram maioria em 2021 (51%) e ampliaram essa fatia para 54% em 2025.

Como o setor de Serviços é hoje o mais dinâmico da economia paulista, esse movimento reforça o papel estratégico das mulheres na expansão da atividade econômica.

Educação puxa a ocupação em postos mais qualificados

A educação aparece como um dos principais motores dessa transformação. O Censo Demográfico 2022 do IBGE mostra que as mulheres já superam os homens no ensino superior.

Entre pessoas com 25 anos ou mais, 20,7% das mulheres têm curso superior completo, ante 15,8% dos homens. A fatia de mulheres com baixa escolaridade também é menor: 33,4%, contra 37,3% entre eles.

Esse avanço educacional abre espaço para oportunidades mais qualificadas, aumenta o potencial de renda e reforça a presença feminina em funções de maior exigência técnica, especialmente no Comércio e nos Serviços.

Quase metade dos lares é chefiada por mulheres

O protagonismo feminino extrapola o ambiente de trabalho e se consolida na organização econômica das famílias.

Segundo o Censo 2022, 49,1% dos domicílios brasileiros têm mulheres como responsáveis. Isso coloca as brasileiras no centro das decisões de consumo, uso do crédito e planejamento financeiro.

Ao mesmo tempo, permanecem desafios importantes. Mesmo mais escolarizadas e com participação crescente no mercado, as mulheres ainda enfrentam desigualdade salarial e concentram mais horas de trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.

Humor econômico feminino antecipa movimentos do consumo

Mais escolaridade, avanço do empreendedorismo, maior participação no emprego formal e protagonismo na gestão dos lares formam um conjunto que torna o olhar feminino sobre a economia essencial para entender o comportamento do consumo.

Nesse contexto, acompanhar indicadores como o ICC a partir do recorte de gênero deixa de ser detalhe estatístico. As decisões econômicas das mulheres impactam diretamente compras do dia a dia, investimentos das famílias e o desempenho de setores inteiros da economia — do varejo ao mercado automotivo.

O resultado recente dos indicadores revela um quadro de otimismo moderado, combinado a maior cautela na avaliação do cenário atual.

Compromisso com um ambiente de negócios mais inclusivo

Para a FecomercioSP, monitorar o avanço da participação feminina na economia é fundamental para compreender as mudanças em curso no mercado de trabalho e no ambiente de negócios no Brasil.

A entidade atua historicamente em defesa do empreendedorismo, da ampliação de oportunidades e da melhoria das condições para quem empreende — agenda que inclui o fortalecimento da presença das mulheres na atividade econômica.

Ao valorizar o empreendedorismo feminino e apoiar iniciativas que ampliem o acesso das mulheres ao mercado de trabalho e à gestão de empresas, a Federação reafirma o compromisso com a construção de um ambiente de negócios mais dinâmico, inclusivo e favorável ao desenvolvimento das empresas e da sociedade.

Neste Dia Internacional da Mulher, os dados deixam claro: as mulheres não apenas participam da economia — elas ajudam a determinar seu ritmo e suas perspectivas.