Comercialização de veículos novos cresce 2,1% em 2025

Comercialização de veículos novos cresce 2,1% em 2025 e impulsiona mercado automotivo no Brasil

Apesar do forte desempenho em dezembro, o mercado de veículos encerrou 2025 com alta tímida de 2,1% no acumulado do ano, bem abaixo do avanço de 14,1% registrado em 2024 e das expectativas da própria indústria. Somando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, foram licenciadas 2,69 milhões de unidades, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira, 13/01, pela Fenabrave, que representa as concessionárias.

O resultado ficou aquém das projeções da entidade, que iniciou 2025 prevendo crescimento de 5%. Ao longo do ano, o cenário foi sendo revisado para baixo e, em outubro, a última estimativa apontava para alta de 2,6% nas vendas.

A Anfavea, que reúne as montadoras, também superestimou o fôlego do mercado. Na primeira projeção para 2025, falava em alta de 6,3%. Em agosto, reduziu a perspectiva para crescimento de 5% nas vendas de veículos zero quilômetro no país.

O principal fator de desaceleração foi a alta dos juros, que encareceu o crédito e restringiu o acesso ao financiamento, ainda base da maior parte das compras de veículos no Brasil. Em contrapartida, a geração de empregos, a melhora da renda, o aumento das vendas para locadoras e os descontos de IPI concedidos pelo governo federal a modelos de entrada, dentro do programa Carro Sustentável, contribuíram para sustentar os volumes e evitar uma estagnação maior.

Dezembro, porém, destoou da média do ano. As vendas foram as maiores para um único mês em 11 anos: 279,4 mil unidades licenciadas em todas as categorias, alta de 8,6% em relação a dezembro de 2024 e de 17,1% frente a novembro. Desde dezembro de 2014, quando o mercado emplacou 370 mil veículos, não se via um resultado mensal tão forte. Ainda assim, o setor não conseguiu, no acumulado de 2025, retomar o patamar pré-pandemia: em 2019, foram vendidos quase 100 mil veículos a mais do que no ano passado.

Motos

Se o mercado de veículos leves e pesados perdeu ritmo, o de duas rodas viveu o movimento oposto. As vendas de motocicletas atingiram recorde histórico de 2,2 milhões de unidades em 2025, superando pela primeira vez o volume de automóveis de passeio vendidos no país. O crescimento foi de 17,1% em relação a 2024, segundo a Fenabrave.

Em dezembro, o segmento também acelerou: foram 193,2 mil motos vendidas, alta de 27,2% na comparação com o mesmo mês de 2024 e de 7% em relação a novembro.

Pela primeira vez em 23 anos de estatísticas, o Brasil vendeu mais motos do que carros de passeio em um ano. A diferença foi de cerca de 200 mil unidades em favor das motocicletas, enquanto os emplacamentos de automóveis somaram 2 milhões em 2025.

Antes da pandemia, tomando 2019 como referência, o mercado de carros era o dobro do de motos. De lá para cá, porém, o segmento de duas rodas praticamente dobrou de tamanho. O avanço reflete não apenas a expansão dos serviços de entrega por aplicativo, que multiplicaram a demanda por motocicletas, mas também a busca de consumidores por uma alternativa mais acessível na compra, mais barata de manter e mais econômica no consumo de combustível.