Comércio dá sinais de estabilidade após meses de queda, apontando otimismo para o fim do ano

Comércio esboça recuperação e alimenta expectativas positivas para o fim de 2024.

Após quatro meses consecutivos de queda, o comércio varejista brasileiro voltou a crescer em agosto, registrando uma alta de 0,2%. Os dados são da última Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Embora o avanço tenha sido tímido, o resultado sugere uma tendência de estabilização do varejo, mesmo diante dos juros altos e das incertezas externas. A expectativa para setembro e o último trimestre do ano é de manutenção desse cenário de estabilidade.

“O desempenho de agosto indica que o nosso comércio segue estruturado de forma a absorver, até agora, os impactos do aumento de tarifas americanas sem repassar efeitos negativos ao consumidor final”, avalia José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Supermercados lideram a recuperação

Entre os segmentos, o destaque vai para os hipermercados e supermercados — que respondem por quase metade do varejo restrito — e que cresceram 0,4% em agosto. Este avanço foi impulsionado pela queda nos preços dos alimentos: de acordo com o IPCA, a alimentação no domicílio recuou 0,69% em julho e 0,83% em agosto, favorecendo o consumo das famílias.

“A redução nos preços dos alimentos melhora o poder de compra das famílias e justifica a reação positiva dos supermercados”, afirma Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Varejo ampliado supera as projeções

O chamado varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, apresentou desempenho ainda mais expressivo, com alta de 0,9% em agosto. O setor de veículos, motocicletas e peças registrou crescimento de 2,3%, enquanto o segmento de material de construção subiu 0,1%, mantendo uma trajetória de recuperação após quedas acentuadas em maio e junho.

Resiliência diante de pressões externas

Apesar das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, o mercado interno segue resiliente. Segundo avaliação da CNC, o impacto dessas tarifas permanece restrito ao setor externo, sem reflexos significativos sobre o consumo doméstico.

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