Como a confiança vai impulsionar a vantagem competitiva das empresas

Como a Confiança Impulsiona a Vantagem Competitiva das Empresas

Nas últimas décadas, a tecnologia elevou o valor de uma série de recursos intangíveis. Ativos virtuais passaram a sustentar vantagem competitiva e poder de mercado, em um movimento comparável à corrida pelos principais recursos naturais nas revoluções industriais anteriores.

– A economia de dados: A primeira grande virada foi a dos dados. A revolução da tecnologia da informação transformou os dados de um ativo escasso em abundante. A digitalização gerou volumes gigantescos de informação, e a internet democratizou o acesso a ela. A frase “dados são o novo petróleo” virou quase um slogan. Nessa economia, vence quem consegue extrair valor dos dados em escala, o que exige capacidade de produzi-los, interpretá-los e monetizá-los – exatamente o tipo de competência que será cada vez mais necessária também no campo da confiança.

– A economia da atenção: Com a era das redes sociais e da Web 2.0, a atenção se consolidou como principal recurso intangível gerador de valor. Empresas passaram a estruturar produtos, serviços e modelos de negócios em torno do engajamento, porque capturar e reter a atenção do usuário – e influenciar seu comportamento – tornou-se um dos maiores motores de geração de valor.

– A economia da confiança: Agora avançamos para a próxima grande mudança, em que a confiança tende a se tornar o novo ativo intangível determinante para vantagem competitiva e crescimento. A confiança vem caindo nos últimos anos – em boa parte como efeito colateral da própria Economia da Atenção. Plataformas de mídia social ajustaram seus algoritmos para maximizar engajamento, mas esse processo frequentemente reforçou a polarização e alimentou a desinformação.

Confiança em meio ao caos

Num ambiente de mudanças cada vez mais não lineares, aceleradas, voláteis e interconectadas – o chamado mundo NAVI –, as empresas têm sido expostas a choques sucessivos. A instabilidade climática, impulsionada pelo avanço das mudanças climáticas, provocou quebras de safra em diversas regiões. Em vários países, houve protestos e revoltas ligados à crise alimentar. Cadeias de suprimentos foram interrompidas. Fluxos de refugiados cruzaram fronteiras. Consumidores já pressionados por uma inflação persistente passaram a enfrentar aumentos de dois dígitos nos preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, vídeos deepfake de CEOs fazendo declarações inflamatórias viralizaram, pressionando ainda mais a percepção pública das marcas.

É nesse contexto que se dá a transição para a Economia da Confiança. Isso não significa que o declínio da confiança será revertido em todos os aspectos, mas sim que a confiança ficará ainda mais escassa e, portanto, mais valiosa. A nova economia se consolidará em um cenário de confiança em queda.

Organizações que conseguirem se proteger desse declínio e, ao mesmo tempo, fortalecer a confiança em suas marcas, produtos e serviços – tratando confiança como um ativo que pode ser medido, monitorado, gerido, ampliado e monetizado em escala – estarão em posição muito mais favorável para sobreviver e crescer na Economia da Confiança.

Este artigo integra a série EY Megatrends. As megatendências são rupturas macroeconômicas geradas pela intersecção de duas ou mais forças primárias, como tecnologia, demografia, sustentabilidade e geopolítica.