Da redação
2025 será lembrado como o ano em que a discussão sobre sustentabilidade deixou de ser um subtema técnico do setor automotivo e se converteu em uma agenda estratégica de Estado. Isso ficou evidente durante a COP-30, realizada no Brasil, onde a transição para uma mobilidade de baixo carbono passou de discurso aspiracional para um dos principais focos do debate setorial. No centro dessa narrativa esteve o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), concebido como sucessor do regime anterior e posicionado como o motor regulatório da descarbonização automotiva nacional.
O Mover ampliou os incentivos estruturais para inovação tecnológica e metas de redução de emissões, criando um ambiente mais propício para investimentos em eficiência energética, tecnologias híbridas e elétricas, e processos industriais de menor impacto ambiental. O conceito de “reciclabilidade veicular” — ainda em fase de regulamentação — também entrou no debate como um elemento chave para transformar o setor num ciclo verdadeiramente circular.
Entretanto, passado o momento das promessas e das intenções políticas, 2025 expôs com clareza os desafios práticos dessa transição. A ausência de regulamentações complementares claras, especialmente em critérios técnicos para geração e validação de créditos ambientais, tem dificultado a implementação plena de alguns dispositivos do programa. Em muitos casos, grandes grupos com maior capacidade de investimento avançaram rapidamente, concentrando benefícios, ao passo que empresas de menor porte lutam para se inserir no novo ecossistema competitivo. Essa dicotomia entre ambição e execução faz de 2025 um ano de pontes e tensões estruturais para a indústria automotiva. A COP-30 colocou o Brasil no centro das discussões globais sobre mobilidade sustentável, mas a verdadeira prova de fogo para as políticas do Mover só virá com a capacidade de transformar intenção em impacto mensurável — e de fazê-lo de maneira inclusiva para toda a cadeia produtiva.














