A Confederação Nacional da Indústria (CNI) recebeu com entusiasmo a nova linha de crédito anunciada pelo BNDES nesta sexta-feira (27), durante o seminário “Acordo Mercosul-União Europeia: um novo capítulo para a indústria brasileira”, realizado em São Paulo.
A nova linha destina R$ 10 bilhões ao financiamento da difusão de tecnologias da indústria 4.0 e à produção de bens de capital voltados à economia verde. Os recursos fazem parte do programa BNDES Mais Inovação, vinculado ao Plano Mais Produção (P+P), eixo central da Nova Indústria Brasil (NIB).
O P+P se consolidou como o principal instrumento de financiamento da NIB e vem apresentando forte desempenho na aprovação de projetos. Do total de R$ 713 bilhões disponibilizados até o momento pelas instituições financeiras participantes, 92% (R$ 653,2 bilhões) já foram aprovados e direcionados a 428 mil projetos industriais.
O BNDES é hoje o maior protagonista do P+P. Depois de anunciar, em fevereiro, um reforço de R$ 70 bilhões no programa, o banco agora abre uma nova linha de crédito em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento industrial do país.
No cenário internacional, digitalização e transformação ecológica são tendências consolidadas e caminham juntas no que vem sendo chamado de “transição dual”. A descarbonização deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar um fator central na reorganização da produção e na redefinição de vantagens competitivas entre países e setores.
Ao mesmo tempo, a revolução digital redefine a fronteira da produtividade industrial e é hoje determinante para a competitividade da indústria brasileira. A digitalização contribui diretamente para a descarbonização e a transição energética ao elevar a eficiência dos processos, reduzir desperdícios, melhorar o monitoramento em tempo real e ampliar a rastreabilidade em toda a cadeia produtiva.
“Hoje, a transformação ecológica e digital, conhecida como transição dual, é uma tendência global no desenvolvimento industrial, e o avanço nessas áreas é decisivo para a competitividade da indústria brasileira. O direcionamento de recursos para esses segmentos reforça a inovação, a produtividade e cria condições para uma inserção mais qualificada do Brasil na nova economia de baixo carbono”, afirma Mário Sérgio Telles, diretor-adjunto de Desenvolvimento Industrial da CNI.
Segundo o BNDES, dos R$ 10 bilhões do BNDES Mais Inovação, R$ 7 bilhões serão destinados à indústria 4.0, com taxa média anual de 6,5%, resultante da combinação entre a TR (Taxa Referencial) do BNDES e taxas de mercado. Os outros R$ 3 bilhões financiarão a produção de bens de capital verdes, também com taxa de 6,5% ao ano, a partir de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo Clima.
Os investimentos apoiados pelo BNDES Mais Inovação já apresentam resultados concretos para a indústria nacional. Entre eles, destacam-se:
– implantação de 15 plantas industriais pioneiras; – aquisição de 86.230 equipamentos de indústria 4.0; – construção e modernização de 216.313 m² de laboratórios e centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D); – desenvolvimento de 25 softwares com uso inovador de inteligência artificial; – geração estimada de 33.889 empregos; – participação de 7.198 profissionais em atividades de P&D; – desenvolvimento de 611 novos medicamentos, vacinas ou IFAs; – criação de 223 novos produtos ou serviços (excluídos os medicamentos).
Diante desse conjunto de resultados em produção e inovação, a CNI reforça a importância da nova linha de financiamento anunciada pelo BNDES. Ao apoiar diretamente setores ligados à transição dual, a medida fortalece áreas estratégicas para o futuro da indústria brasileira, estimulando modernização produtiva, difusão tecnológica, descarbonização e ganho de competitividade no cenário global.
















