Custo de vida na RMSP aumentou no fim do ano, mas perspectiva para os próximos meses melhora

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS) na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) fechou o ano em ritmo de aceleração. Em novembro, o índice subiu 0,41% e acumula alta de 5,03% em 12 meses. A classe E foi a mais pressionada no mês, com avanço de 0,48%. Em seguida aparecem as classes B e A, com aumentos de 0,35% e 0,33%, respectivamente.

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o segmento de transportes foi o principal responsável pela alta do indicador. O grupo registrou aumento de 0,54% e contribuiu com 0,12 ponto porcentual (p.p.) para a variação geral do CVCS.

Apesar da aceleração em novembro, a FecomercioSP avalia que o índice mostra trajetória de arrefecimento no horizonte de 12 meses. As altas recentes têm caráter sazonal, e não estrutural, o que reforça uma perspectiva mais favorável no médio e longo prazo.

Uma inflação mais moderada tende a ajudar na recomposição da renda das famílias e fortalecer o poder de compra, especialmente no fim do ano, contribuindo para que o orçamento doméstico comece 2026 em situação mais controlada.

Passagens aéreas lideram a pressão em transportes

No grupo de transportes, as passagens aéreas foram o item de maior impacto, influenciadas pelo turismo de lazer e pelo calendário de feriados, com alta de 10,8% em novembro. As passagens de ônibus interestadual avançaram 3,33%.

Nos combustíveis, o etanol subiu 1,4%, enquanto a gasolina teve aumento de 0,7% no varejo.

As famílias de maior renda sentiram mais a alta desse grupo, por terem maior participação de transportes em sua cesta de consumo. A classe A registrou variação de 1,06% no mês, enquanto a classe E praticamente não se mexeu, com leve alta de 0,04%.

Energia elétrica pressiona habitação

No grupo habitação, o custo subiu 0,53%, influenciado principalmente pelo reajuste da energia elétrica, que avançou 0,7%. Também pesaram as altas de 2,3% em materiais de construção, como tijolos, cimento e revestimentos de piso.

Já o grupo alimentação e bebidas, que vinha com pouca influência nos meses anteriores, voltou a pressionar e registrou a segunda maior alta do mês, de 0,42%, com impacto de 0,10 p.p. sobre o índice geral. A variação foi semelhante entre as classes sociais, com aumentos em serviços (0,22%) e no varejo alimentício (0,57%).

Fim de ano com alimentação mais cara

A alta em alimentação e bebidas foi puxada especialmente pelas carnes, como patinho (4,2%), acém (2,8%) e costela (2,7%). O preço do boi gordo no atacado subiu cerca de 5% nos últimos dois meses, refletindo no varejo.

Hortifrutis e itens básicos também subiram: alface (4,7%), óleo de soja (3,2%) e feijão-carioca (1,6%). Em contrapartida, leite e derivados aliviaram um pouco a cesta, com queda de 2,3% no leite longa vida e de 2% no queijo.

Além da alimentação, o fim de ano chegou com vestuário mais caro. O grupo registrou alta de 0,88%, contribuindo com 0,05 p.p. para o CVCS. Entre as maiores variações, destaque para bermuda masculina (3,2%), vestido (2,8%) e calça comprida feminina (2,5%).

Eletroeletrônicos sustentam a única queda do mês

Os grupos saúde (0,3%) e despesas pessoais (0,72%) também subiram, com contribuição conjunta de 0,08 p.p. Em saúde, a pressão veio principalmente dos serviços: dentistas subiram 2,5%, e planos de saúde, 0,5%. Em despesas pessoais, o turismo de alta temporada voltou a pesar, com alta de 4,6% em hotéis e 4,2% em excursões.

Educação e comunicação ficaram estáveis no mês. Já artigos do lar foram o único grupo a registrar queda, de 0,38%, com contribuição de -0,02 p.p. Esse recuo foi influenciado sobretudo pelos eletroeletrônicos, como refrigeradores (-3,4%), microcomputadores (-2,2%) e fogões (-1,8%).

Indicadores de preços do varejo e de serviços

O Índice de Preços do Varejo (IPV) avançou 0,45% em novembro, acumulando alta de 2,75% no ano. Em 12 meses, o índice subiu 3,91%. Entre os oito grupos que compõem o IPV, três encerraram o mês em queda: artigos de residência (-0,45%), educação (-0,33%) e despesas pessoais (-0,14%).

O Índice de Preços dos Serviços (IPS) aumentou 0,36% no mês, com alta acumulada de 5,97% em 2025. No período de 12 meses, o IPS subiu 6,22%. Nenhum dos oito grupos que compõem o índice registrou recuo em novembro, e a maior contribuição veio do grupo habitação, com variação de 0,45%.