O 25º episódio do programa AbraTalks, da Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso – já está disponível na TV Filtros (YouTube), com um tema que conecta Reforma Tributária, gestão de riscos e geopolítica: “Planejamento Estratégico em Cenários Incertos”.
Nesta edição, Adriano Bonazio, secretário executivo da Abrafiltros, entrevista Kaique Negrão, sócio da TAG Investimentos. Ele comenta os principais pontos da Reforma Tributária e seus impactos potenciais sobre a indústria – em especial o segmento de filtros – e analisa o atual ambiente econômico global, marcado por conflitos e incertezas.
No videocast, Kaique explica que a Reforma Tributária substitui tributos como ICMS, ISS, PIS/Cofins e IPI por três novos impostos: IBS, CBS e o Imposto Seletivo (IS). Este último, também conhecido como “imposto do pecado”, incidirá sobre produtos cujo consumo o governo pretende desestimular, como cigarros e bebidas, entre outros. O especialista observa que, embora o momento ainda seja de adaptação e estudo, o IS poderá, por exemplo, atingir fabricantes de filtros para veículos com motor a combustão.
Ele também destrincha o cronograma de implementação: em 2026 entra em vigor uma alíquota teste de 1%, composta por 0,1% de IBS e 0,9% de CBS. Em 2027, o CBS passa a valer em sua integralidade. Já o IBS será implantado gradualmente de 2029 a 2032, com o fim definitivo da transição previsto para 2033.
Kaique chama atenção ainda para riscos relevantes ao setor produtivo. Um deles é o fim de benefícios fiscais hoje concedidos a determinadas indústrias, como a de filtros agrícolas, que operam com alíquotas reduzidas. Com a nova lógica tributária, esses incentivos tendem a ser extintos.
Outro ponto crítico é o sistema de Split Payment, nova forma de recolhimento de impostos. Nesse modelo, o tributo será retido no momento do pagamento eletrônico, afetando diretamente o fluxo de caixa das empresas, que hoje utilizam esses recursos até o vencimento da guia. Soma-se a isso a incerteza sobre como as companhias conseguirão recuperar créditos antigos de ICMS após a adoção do novo sistema.
Ao longo da entrevista, o sócio da TAG Investimentos destaca que as empresas precisam preservar a saúde do negócio principal, assegurando a lucratividade do produto ou serviço, e não dependendo apenas de ganhos financeiros paralelos. Ao mesmo tempo, reforça a importância da boa gestão de caixa, dos investimentos corporativos e da busca por rentabilidade sem abrir mão da segurança.
Entre as recomendações práticas para mitigar riscos, ele cita a necessidade de operar com instituições financeiras sólidas, priorizar investimentos de alta liquidez e monitorar atentamente o nível de volatilidade. Questões de crédito, endividamento e relacionamento bancário também entram na pauta.
Na parte final, Kaique amplia o foco para o cenário econômico global, marcado por guerras e tensões geopolíticas. Ele ressalta a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o comércio internacional, destacando que pela região passam cerca de 25% de todo o petróleo mundial, 30% do comércio de ureia e amônia – insumos essenciais para o agronegócio –, 9% do alumínio primário processado e 33% da oferta global de gás hélio, fundamental para a indústria de microprocessadores. Tudo isso hoje sob impacto direto de conflitos na região. O entrevistado lembra ainda que 2026 será ano eleitoral no Brasil, adicionando mais uma camada de incerteza ao ambiente de negócios.
O episódio reforça a importância do planejamento estratégico e da preparação das empresas diante de um contexto de profundas mudanças tributárias e de crescente instabilidade global.
A entrevista completa está disponível no canal TV Filtros no YouTube: https://www.youtube.com/@TVFiltros.
















