Por Carla Nórcia
Presidente da AMMA
Existe uma pergunta que sempre me fazem nesta data: o que significa, hoje, celebrar o Dia Internacional da Mulher?
Eu costumo responder que não se trata de celebração. Trata-se de consciência.
Durante muitos anos, as mulheres lutaram para ocupar espaços que lhes eram negados. Lutaram por voz, por estudo, por trabalho, por dignidade. Hoje, estamos em oficinas, indústrias, conselhos, presidências, linhas de produção e centros de decisão. Não chegamos por acaso. Chegamos por competência.
Mas ainda não chegamos em igualdade.
No mercado automotivo, essa realidade é ainda mais visível. Somos minoria em muitas mesas estratégicas. Somos exceção em algumas áreas técnicas. Somos, muitas vezes, a única mulher no ambiente. E isso não é um problema individual. É um indicador estrutural.
O Dia Internacional da Mulher não é uma data para nos lembrar de que somos fortes. Nós já sabemos disso. É uma data para lembrar que talento não tem gênero. Capacidade não tem gênero. Liderança não tem gênero.
O que precisamos é de oportunidade justa.
Na AMMA, trabalhamos todos os dias para construir um ambiente onde meninas possam sonhar em ser mecânicas, engenheiras, empresárias ou presidentes sem que isso pareça extraordinário. O extraordinário deve ser o talento, não o fato de ser mulher.
Quando uma mulher cresce profissionalmente, não é apenas ela que avança. Avança a empresa, avança o setor, avança o país. Diversidade não é discurso bonito. É inteligência competitiva.
E eu acredito profundamente nisso: o futuro do mercado automotivo será mais sustentável, mais inovador e mais humano quando houver mais mulheres nas decisões.
Não estamos pedindo espaço por gentileza. Estamos construindo espaço por competência.
Neste Dia Internacional da Mulher, não desejo flores. Desejo políticas de inclusão. Desejo processos mais justos. Desejo reconhecimento técnico. Desejo respeito profissional.
E desejo que cada mulher do nosso setor saiba que ela não está sozinha.
Seguiremos trabalhando, ocupando, construindo e transformando.
Porque igualdade não é concessão. É evolução.

















