Renato Paladino, consultor jurídico do Sincopeças-SP, advogado especialista em Direito Empresarial
Nos últimos anos, a advocacia passou por uma transformação silenciosa, porém profunda. Essa mudança não se limita aos grandes escritórios ou às bancas altamente especializadas: ela impacta diretamente o atendimento a pessoas físicas e, principalmente, a pequenas e médias empresas – ambientes em que confiança, proximidade e compreensão do negócio fazem toda a diferença.
Por muito tempo, o advogado foi visto – e muitas vezes se colocou – como um profissional essencialmente reativo: chamado quando o problema já estava instalado. O trabalho começava depois do ajuizamento de uma ação, da assinatura de um contrato mal elaborado, do agravamento de um conflito societário ou da consolidação de um passivo trabalhista. Durante décadas, esse modelo atendeu às expectativas do mercado.
Esse cenário, porém, mudou.
Hoje, clientes – sejam pessoas físicas organizando seu patrimônio ou PMEs planejando crescimento e expansão – não procuram apenas a solução de litígios. Eles buscam previsibilidade, orientação estratégica e segurança jurídica antes que o risco se concretize. Essa nova dinâmica exige um reposicionamento claro do advogado: deixar de atuar apenas como “bombeiro jurídico” e assumir um papel contínuo de consultor estratégico e gestor de riscos.
Essa virada está diretamente ligada à evolução das expectativas do mercado. Clareza sobre o escopo dos serviços, comunicação objetiva e orientação prática deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos mínimos. Empresas querem entender, com transparência, quais riscos estão assumindo, quais alternativas existem e quais impactos jurídicos podem afetar operação, reputação e resultados.
Mais do que domínio técnico, o diferencial hoje está na capacidade de compreender o contexto do cliente. No caso das PMEs, isso significa conhecer o modelo de negócio, os riscos operacionais, o estágio de maturidade e de expansão, as vulnerabilidades regulatórias. No caso de pessoas físicas, significa entender a estrutura patrimonial, os objetivos de longo prazo e os riscos sucessórios. O advogado contemporâneo não é apenas intérprete da lei; ele participa da construção das decisões estratégicas.
Essa atuação exige uma mudança de mentalidade: foco em prevenção, contratos estruturados com visão de futuro, mapeamento de riscos e construção de relações permanentes de assessoria. É a troca da lógica pontual e reativa por uma abordagem estratégica, contínua e alinhada ao planejamento do negócio.
Para as empresas que ainda não incorporaram esse tipo de apoio jurídico à sua gestão, o recado é direto: no ambiente regulatório e competitivo atual, não contar com assessoria preventiva não representa economia – representa exposição. Riscos não identificados viram passivos; decisões não estruturadas geram contingências; contratos mal desenhados limitam ou inviabilizam o crescimento.
Antecipar-se deixou de ser vantagem competitiva. Tornou-se necessidade estratégica.

















