Especialista aponta que logística reversa requer engajamento de toda a cadeia e maior conscientização

Logística Reversa: Por que o Engajamento de Toda a Cadeia e a Conscientização São Essenciais para o Sucesso

Realizada em 18 de março, a 1ª Jornada de Logística Reversa integrou o III Seminário Internacional de Resíduos Sólidos e reuniu especialistas para discutir os avanços e os gargalos da gestão de resíduos no Brasil, com foco na cidade de São Paulo. Cristiane Cortez, assessora do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, participou do painel de abertura da Jornada, iniciativa promovida pela SP Regula em parceria com a Prefeitura de São Paulo.

Ao longo do encontro, ficou claro que o avanço da logística reversa ainda depende do envolvimento efetivo de toda a cadeia — do setor produtivo ao consumidor final — além da ampliação do acesso à informação. Representando os setores de Comércio e Serviços, Cristiane apresentou a visão das empresas sobre economia circular e os desafios do pós-consumo no País.

A presença no evento, de alcance internacional, ampliou o diálogo com especialistas e expôs com mais nitidez as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo para adotar práticas mais sustentáveis. Também reforçou a necessidade de soluções viáveis, ajustadas à realidade operacional e financeira das empresas.

Cristiane abordou os fundamentos da logística reversa, instrumento previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. O modelo busca viabilizar a coleta e a reinserção de materiais no ciclo produtivo, aumentando a eficiência no uso de recursos e reduzindo impactos ambientais.

Um dos pontos centrais do debate foi o papel do Comércio nessa engrenagem. “As empresas do setor atuam não apenas como Ponto de Entrega Voluntária (PEV), mas também como agentes de informação para o consumidor, fortalecendo a cadeia de valor da logística reversa”, destacou Cristiane. “Além disso, quando são importadoras ou detentoras de marca própria, assumem responsabilidades diretas no custeio dos sistemas, proporcionalmente ao volume de produtos colocados no mercado”, completou.

A assessora também apresentou dados sobre a adoção da economia circular no Brasil. De acordo com o levantamento citado, 55% das empresas apontaram a triagem de resíduos para reciclagem como principal ação ligada à economia circular. Ainda assim, uma parcela expressiva declarou não adotar práticas estruturadas, o que evidencia a necessidade de ampliar conhecimento, planejamento e investimento. Entre as principais barreiras, aparecem a limitação de recursos financeiros e a falta de informação técnica, fatores que reforçam a importância de iniciativas de capacitação e orientação às empresas.

Foram apresentados exemplos de ações voltadas à logística reversa, como expansão de pontos de entrega (PEVs), campanhas de conscientização, parcerias com entidades gestoras e incentivo ao uso de selos que identifiquem estabelecimentos engajados na agenda sustentável. Também ganhou espaço a discussão sobre a educação do consumidor, já que pesquisas indicam que grande parte da população ainda desconhece o conceito de logística reversa, embora demonstre interesse quando informada.

No tema do gerenciamento de resíduos, o debate diferenciou as obrigações de pequenos e grandes geradores, ressaltando a necessidade de planos estruturados e de destinação adequada dos materiais, sobretudo no caso de empresas que lidam com grande volume de resíduos. Cristiane também chamou atenção para a redução de descartáveis de uso único como estratégia complementar e necessária à logística reversa.

Agenda Verde em evidência

A participação no seminário permitiu ainda reforçar os compromissos com a Agenda Verde, que orienta a atuação institucional em temas como economia circular, eficiência no uso de recursos, transição energética e combate à poluição.

Ao levar essa pauta para fóruns estratégicos, a FecomercioSP amplia o diálogo com diversos atores, fortalece sua atuação institucional e contribui para preparar o setor produtivo para as novas exigências de uma economia cada vez mais sustentável e circular.